É apenas mais um sinal do forte dinamismo que se vive no segmento do crédito à habitação em Portugal. Em Abril, o montante total de empréstimos para habitação cresceu 10,7% face ao mesmo mês do ano anterior, um ritmo muito acima da média europeia, que se ficou por 2,9%. O stock deste tipo de crédito aumentou em 1021 milhões de euros, atingindo 114.600 milhões de euros no período e análise, segundo dados revelados esta segunda-feira pelo Banco de Portugal (BdP).Tratou-se de um dos maiores crescimentos da zona euro, e em termos de histórico é preciso recuar a Fevereiro de 2003 (23 anos) para encontrar uma variação tão expressiva, e que apenas foi suplantada pela Bulgária (27,1%), pela Croácia (15%) e pela Lituânia (14,3%).Abaixo da média da região ficou a Alemanha (2,5%) e a Áustria (1,7%). E em três países as variações foram negativas: Finlândia, França e Grécia.A vizinha Espanha também apresentou uma variação positiva, mas ficou-se pelos 3,8%.O crescimento elevado da concessão de crédito à habitação tem suscitado preocupações ao BdP, que se prepara para tomar medidas um pouco mais restritivas na concessão de crédito. Este crescimento tem sido impulsionado por medidas públicas dirigidas a jovens, com destaque para a garantia pública e a isenção de impostos, mas também aos preços elevados da habitação e um forte interesse das instituições bancárias em captar este tipo de clientes.Como tem vindo a acontecer nos últimos meses, quando cresce o crédito à habitação também cresce o destinado à aquisição se bens de consumo. O montante de empréstimos ao consumo e outros fins subiu 216 milhões de euros em Abril, mais 9,3% em termos homólogos, totalizando 34,9 mil milhões de euros. Desagregados, os empréstimos para outros fins cresceram 9,2% e os destinados ao consumo 9,3%, a taxa mais elevada desde Fevereiro de 2020.Montante depositado aumenta 4,9%A crescer a um ritmo menor estão as poupanças dos portugueses confiadas aos bancos. No final de Abril de 2026, o stock de depósitos de particulares nos bancos residentes totalizava 202,6 mil milhões de euros, mais 960 milhões do que em Março. Trata-se de uma variação anual de 4,9%, ligeiramente acima dos 4,8% registados em Março, e acima da média da zona euro, que foi de 3%, o mesmo que no mês anterior.A subida reflecte um aumento de 421 milhões de euros nas responsabilidades à vista (maioritariamente depósitos à ordem) e de 539 milhões nos depósitos a prazo (que incluem depósitos com prazo acordado e depósitos com pré-aviso).É de recordar que Abril foi também um mês de forte crescimento dos Certificados de Aforro, outro dos destinos das poupanças dos portugueses, com a entrada de 723 milhões de euros, e resgates de 186 milhões de euros, o que corresponde a um aumento líquido de 537,6 milhões de euros naquele mês.