O montante líquido aplicado em Certificados de Aforro (CA) em Abril, que foi de 537,6 milhões de euros, foi o mais elevado dos últimos 12 meses, e foi também o 19.º mês consecutivo de subida do saldo total, que vai nos 41.698 milhões de euros (o valor mais alto de sempre), segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo Banco de Portugal (BdP).Para este desempenho contribuiu a taxa de juro, que subiu para 2,238% nesse mês, mas também a alteração ao montante máximo que cada aforrador pode aplicar no produto.Por decisão do ministro das Finanças, que entrou em vigor a 24 de Abril, o montante aplicado na série F, a única que aceita novas subscrições, passou de 100 mil euros para 250 mil euros.Para além daquele limite, também o montante máximo acumulado da série E com a actual série F foi alargado, passando de 350 mil euros para 500 mil euros.O aumento era há muito reclamado pelos aforradores, especialmente pelos que não conseguiam reinvestir aplicações em séries anteriores, à medida que estas chegavam à maturidade.Tratou-se, aliás, mas de uma reposição de valores anteriores. O limite de 250 mil existiu até meados de 2023, altura em que foi reduzida pelo antigo ministro das Finanças Fernando Medina para 50 mil euros, uma decisão que foi entendida como uma cedência ao sector bancário, que, na altura, oferecia taxas mais baixas nos depósitos. O actual Governo, em 2024, já tinha decidido duplicar o valor a aplicar na série F de 50 mil para 100 mil euros, passando também o montante acumulado das duas séries de 250 mil euros para 350 mil euros.Maio será o primeiro mês completo de aplicação do novos plafonds, e também beneficia de nova subida da taxa de juro para 2,195% ilíquidos, quase 2,2%.A remuneração dos CA também continua superior a boa parte dos depósitos a prazo, beneficiando da subida da Euribor a três meses, a que está associada, e a que acrescem prémios de permanência. Em Março, último mês para que há dados, a média da taxa de juro acordada anualizada (TAA) de novos depósitos a prazo até um ano dos particulares subiu ligeiramente para 1,42% (1,37%, no mês anterior).Com um desempenho oposto aos CA, o saldo dos Certificados do Tesouro (CT) voltaram a diminuir em Abril, com os resgates a serem superiores a novas aplicações, nomeadamente por chegarem à maturidade. O montante aplicado neste produto do Estado caiu para 6971 milhões de euros, menos 194 milhões de euros que no mês anterior. A taxa de juro dos CT foi diminuindo nas sucessivas séries, o que explica o desinteresse dos aforradores nesta aplicação.
Famílias destinaram 537 milhões a Certificados de Aforro no mês de “melhoria” da aplicação
Taxa de juro de Abril, nos 2,138%, atrai mais aforradores, mas alargamento do montante máximo a aplicar também deverá ter ajudado.














