Frei Betto chegou, neste domingo, ao segundo dia da Feira do Livro, em São Paulo, numa cadeira de rodas. No começo do debate com a jornalista Thais Reis Oliveira, explicou a situação culpando os "filhos" —como chama seus livros.
"Carreguei uma pilha de livros muito mais pesada do que minha coluna com hérnia de disco aguentava", contou, arrancando risos de uma plateia com leitores entusiasmados.
Um desses filhos foi tema da conversa, "O Voo da Locomotiva", sexta obra do frade sobre a Ditadura. O tema recorrente vem de experiências próprias, já que Frei Betto foi preso e torturado pelo regime.
"Passei por oito prisões diferentes, dois anos junto com presos políticos e dois com presos comuns. Vi muitas atrocidades nos dois mundos, mas entre os comuns vi algo inédito, a violência entre os próprios presos."
Ele escreve sobre o período num esforço de fazer o país que "clandestinizou" a Ditadura começar a falar sobre ela. "Se nós conhecermos esse passado, certamente haverá mais resistência em relação ao futuro."














