"Que o povo brasileiro cresça na autoestima. Emprego não é esmola; que ele não se ache inferior". As palavras de Wanda Conti, primeira presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) em São Paulo (em 1984 e 1985) e petroleira histórica, ecoam como um manifesto contra o "complexo de vira-lata".
Wanda, que morreu em 13 de abril, aos 82 anos, deixou um legado de fé e resistência registrado na memória de amigos e em vídeos que agora inspiram novas gerações.
Nasceu em 1943 na zona norte de São Paulo, no bairro do Carandiru. A dificuldade financeira levou a família a se mudar para o interior: Ribeirão Preto e, depois, Campinas. A trajetória na Replan (Refinaria de Paulínia) começou na inauguração, em 1972.
Aposentada em 1992, ela atravessou décadas de transformação: participou da greve de 1978 e foi peça-chave na fundação do Sindicato dos Petroleiros de Paulínia e do PT (Partido dos Trabalhadores).
Na histórica greve de 1983, que desafiou a ditadura militar, Wanda sentiu na pele a repressão ao ser levada ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social), mas nunca recuou. O movimento marcou o nascimento do novo sindicalismo brasileiro e ganhou um significado de luta e resistência num país ainda fragmentado pelo regime.











