Médica era referência mundial no tratamento do câncer de reto A cirurgiã e gastroenterologista Angelita Gama — Foto: Reprodução/ Instagram RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 31/05/2026 - 10:17 Morre Angelita Habr-Gama, Pioneira da Coloproctologia no Brasil Angelita Habr-Gama, pioneira da coloproctologia no Brasil e referência mundial no tratamento do câncer de reto, faleceu aos 92 anos. Formada pela FMUSP, criou a disciplina de Coloproctologia e introduziu a estratégia "Watch and Wait", influente no tratamento do câncer de reto. Reconhecida globalmente, recebeu prêmios como a medalha Bigelow e foi listada entre os 2% dos cientistas mais influentes do mundo. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO A Prof.ª Dra. Angelita Habr-Gama, uma das principais referências da medicina brasileira e pioneira da coloproctologia no país, morreu neste sábado, aos 92 anos, de acordo com informações do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. A médica estava internada na instituição desde 6 de maio. Professora, pesquisadora e cirurgiã coloproctologista, Angelita atuava no Centro Especializado em Aparelho Digestivo do Hospital Alemão Oswaldo Cruz e construiu uma trajetória marcada por pioneirismo acadêmico, reconhecimento internacional e contribuições decisivas ao tratamento do câncer de reto. Nascida na Ilha de Marajó, no Pará, filha de libaneses, Angelita Habr-Gama chegou a São Paulo aos 6 anos de idade. Graduou-se pela Faculdade da Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), aos 19 anos. Nessa mesma instituição especializou-se em cirurgia geral e cirurgia do aparelho digestivo. Dedicou-se à carreira universitária, obtendo o título de doutor. Na FMUSP obteve o título de livre-docente. No Hospital das Clínicas da FMUSP começou como médica assistente voluntária, mas durante sua trajetória criou a disciplina de Coloproctologia. Foi a primeira mulher a se tornar titular em cirurgia do Hospital das Clínicas, da Universidade de São Paulo, a primeira a ser aceita pela sociedade americana de cirurgia e a primeira premiada pela sociedade europeia de cirurgia. Além disso, exerceu a presidência da Sociedade Brasileira e da Sociedade Latino-Americana de Coloproctologia e do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e vice-presidente do Colégio Brasileiro de Cirurgiões. E atuou incansavelmente em seu Instituto Angelita & Joaquim Gama de Coloproctologia e Cirurgia Digestiva onde foi mentora e orientadora de inúmeros colegas da especialidade. Em sua trajetória fundou e presidiu a Associação de Prevenção do Câncer de Intestino. Além de suas contribuições acadêmicas e científicas na Medicina, a professora Angelita foi eleita uma das mulheres mais influentes do Brasil pela Revista Forbes, além de receber grandes honrarias, como o "Mérito Santos-Dumont" e a "Medalha do Pacificador", concedida em 1998 pelo então Presidente Fernando Henrique Cardoso. Em 2020, Angelita passou 50 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após contrair Covid-19. Recuperada, em pouco tempo voltou a atender e operar. Vencedora de mais de 50 prêmios nacionais e internacionais ao longo da carreira. Publicou mais de 200 artigos em revistas científicas na base de estudos PubMed. Seu reconhecimento não se limitou ao âmbito nacional. Angelita foi incluída na lista dos 2% de cientistas mais influentes do mundo, de acordo com o renomado ranking elaborado pela Universidade de Stanford. Este reconhecimento reforça não apenas a autoridade científica da médica brasileira, mas também o impacto de suas pesquisas e publicações na área de coloproctologia mundial. Ela também foi a primeira mulher no mundo a receber em 2023 a medalha Bigelow, reconhecimento da Sociedade de Cirurgia de Boston, dos Estados Unidos, a cirurgiões com destacada contribuição para o progresso científico e ensino da cirurgia. Dentre as principais contribuições aos pacientes com câncer de cólon e reto, merece destaque a estratégia "Watch and Wait" (Observar e Esperar, em tradução livre), método idealizado e proposto por Angelita, em 1991, onde é possível um tratamento com preservação do reto em pacientes selecionados que apresentam esta doença. Seu trabalho inovador já beneficiou milhares de pacientes em todo o mundo e é referência em diretrizes de tratamento do câncer de reto internacionais.
Angelita Gama: veja trajetória da pioneira da coloproctologia no Brasil
Médica era referência mundial no tratamento do câncer de reto










