Análise da CNN com base em imagens de satélite mostra que Teerã reabriu a maior parte dos acessos atingidos por bombardeios; especialistas avaliam que arsenal armazenado em instalações subterrâneas permanece em grande parte preservado Um homem caminha ao lado de uma faixa instalada à beira da estrada em homenagem ao líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, em Teerã — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 31/05/2026 - 11:29 Resiliência iraniana desafia esforços dos EUA e Israel contra mísseis Os esforços dos EUA e Israel para destruir a capacidade de mísseis do Irã enfrentam desafios, com rápida recuperação das bases subterrâneas iranianas, conforme análise da CNN usando imagens de satélite. Teerã reabriu a maioria dos acessos atingidos por bombardeios, demonstrando que ataques aéreos, embora eficazes taticamente, não eliminam permanentemente a ameaça. Especialistas alertam para a resiliência iraniana e a necessidade de estratégias mais abrangentes. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Os esforços dos Estados Unidos e de Israel para neutralizar a capacidade de mísseis do Irã enfrentam limites cada vez mais evidentes. Pouco mais de sete semanas após o início do cessar-fogo entre Washington e Teerã, a República Islâmica já recuperou o acesso a grande parte de suas bases subterrâneas de mísseis, levantando dúvidas sobre a eficácia de uma estratégia baseada principalmente em bombardeios contra a infraestrutura militar iraniana, segundo uma análise da rede CNN baseada em imagens de satélite. De acordo com o levantamento, o Irã conseguiu reabrir 50 das 69 entradas de túneis atingidas por ataques americanos e israelenses em 18 complexos subterrâneos espalhados pelo país. Estradas destruídas para impedir o deslocamento de lançadores móveis também foram reconstruídas, e algumas chegaram a ser asfaltadas novamente. O avanço dos reparos ocorreu apesar de semanas de ataques que tinham como objetivo bloquear acessos, destruir lançadores e dificultar o uso do arsenal iraniano. Para analistas, a rapidez da recuperação demonstra que atingir entradas de túneis pode retardar operações militares, mas dificilmente elimina de forma permanente a capacidade de lançamento de mísseis do país. — Os militares americanos são muito eficientes em alcançar sucessos táticos, e bloquear temporariamente a força de mísseis iraniana é um exemplo disso. Mas, sem objetivos estratégicos claros e alcançáveis, isso pode acabar se transformando em um fracasso estratégico — afirma Sam Lair, pesquisador do Centro James Martin de Estudos sobre Não Proliferação. Arsenal protegido sob a montanha A rede de bases subterrâneas do Irã começou a ser construída há mais de 20 anos e representa um dos pilares da estratégia defensiva do país. Muitas instalações estão localizadas sob centenas de metros de rocha, o que dificulta ataques diretos aos estoques de mísseis e aos lançadores. Diante dessa proteção, EUA e Israel concentraram seus esforços em destruir acessos, bloquear entradas de túneis e interromper a cadeia de produção militar iraniana. Durante o conflito, imagens de satélite mostraram entradas soterradas por toneladas de escombros e estradas destruídas por crateras abertas por sucessivos bombardeios. Em alguns casos, dezenas de munições foram utilizadas apenas para impedir o acesso a determinados túneis. Ainda assim, os trabalhos de recuperação começaram durante o conflito e ganharam ritmo após o cessar-fogo. As imagens analisadas pela CNN mostram escavadeiras, tratores e caminhões trabalhando na remoção de escombros e no preenchimento de crateras. Em uma instalação próxima à cidade de Isfahan, por exemplo, ao menos 18 crateras haviam sido abertas para bloquear acessos subterrâneos. Poucas semanas depois, os mesmos locais já apareciam parcialmente recuperados. Mil mísseis ainda armazenados Especialistas acreditam que a maior parte do arsenal subterrâneo iraniano permaneceu intacta. Segundo estimativas citadas pela CNN, o Irã ainda pode possuir cerca de mil mísseis armazenados nessas instalações. Como os bombardeios se concentraram principalmente nos acessos externos, há indícios de que os estoques localizados em profundidade sofreram danos limitados. — Eles se prepararam para esse tipo de guerra durante duas décadas. Estão extremamente preparados — ressalta Timur Kadyshev, pesquisador do Instituto para Pesquisa da Paz e Política de Segurança da Universidade de Hamburgo. Para Lair, mesmo que a produção de novos mísseis tenha sido prejudicada, o estoque já existente continua sendo suficiente para sustentar operações militares por um período considerável. — Enquanto tiverem lançadores e equipes operacionais, eles podem continuar disparando mísseis. Ainda possuem um estoque significativo para utilizar — diz. Reconstrução mais rápida que o previsto A recuperação das bases ocorre em um momento de incerteza sobre o futuro das negociações entre Washington e Teerã. Embora os dois países tenham alcançado um entendimento preliminar que reduziu as tensões após meses de confrontos, ainda permanecem pendentes discussões sobre segurança regional, atividades nucleares e limitações militares. Analistas alertam que uma eventual retomada das hostilidades encontraria o Irã em condições muito melhores do que aquelas previstas por autoridades americanas logo após os ataques. Além da reabertura das bases subterrâneas, avaliações da inteligência dos EUA indicam que Teerã já retomou parte de sua capacidade de produção militar, incluindo a fabricação de drones e a reposição de lançadores de mísseis. Uma autoridade americana ouvida pela CNN afirmou que a velocidade da recuperação surpreendeu os serviços de inteligência. — Os iranianos superaram todos os prazos previstos pela comunidade de inteligência para reconstruir suas capacidades — destaca. Para Kadyshev, o episódio expõe uma realidade difícil para qualquer estratégia baseada exclusivamente em ataques aéreos. — É necessário empregar armas extremamente sofisticadas e caras para causar esse tipo de dano. Já a recuperação exige tecnologia muito mais simples. São basicamente tratores e escavadeiras.