PUBLICIDADE Levantamento feito com base em imagens de satélite reforça avaliações de que impacto da ofensiva de Teerã foi maior que o revelado pelas fontes americanas Momento do ataque a uma base americana no Bahrein. Um centro do quartel-general da Quinta Frota dos EUA no Bahrein foi atingido por um ataque com mísseis iranianos. — Foto: AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 01/06/2026 - 09:19 Revelação: Irã ataca 20 bases dos EUA no Oriente Médio, diz BBC Uma análise da BBC revela que a retaliação iraniana contra os EUA no Oriente Médio foi mais extensa que divulgado, atingindo 20 bases, conforme imagens de satélite. A ofensiva de Teerã, maior do que Washington admitiu, expõe tensões crescentes em meio a negociações de paz travadas. A análise destaca danos significativos e uso sofisticado de tecnologia iraniana, incluindo satélites chineses para espionagem. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Em meio a uma nova troca de ataques entre EUA e Irã e um processo de negociação que avança lento, sem superar divergências centrais entre os países, um novo levantamento publicado nesta segunda-feira aponta que os danos provocados por ataques iranianos contra posições americanas no Oriente Médio foram maiores do que se havia noticiado anteriormente. Segundo uma análise da rede britânica BBC, vinte bases americanas foram atingidas durante a campanha de retaliação de Teerã — uma ofensiva mais expressiva do que o admitido em público por Washington. A análise da rede britânica foi feita com base em imagens de satélite e vídeos analisados pelo serviço BBC Verify. Ao todo, o levantamento constatou que mísseis, foguetes e drones iranianos atingiram de forma direta vinte bases exclusivamente americanas ou compartilhadas com militares de oito países da região: Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait e Omã. O número é superior ao apontado por outros levantamentos — no mês passado, o jornal americano Washington Post havia noticiado que 228 alvos americanos tinham sido atingidos pela represália, mas em apenas 15 bases. Entre os alvos indicados pela BBC estão as bases al-Ruwais e al-Sader, nos Emirados Árabes Unidos, e a base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia, onde a rede britânica afirma que três sistemas de baterias antimísseis balísticos de última geração foram ao menos danificados. Aeronaves de reabastecimento e vigilância também teriam sido atingidas na base aérea príncipe Sultan, na Arábia Saudita. A publicação cita confirmação visual feita por especialistas, a partir de imagens de satélite, dos aviões danificados e crateras fumegantes na estrutura. A avaliação sobre a extensão do impacto da retaliação iraniana aos ataques lançados por EUA e Israel em fevereiro ficou comprometida após o estabelecimento de novas normas por Washington e pelos aliados regionais. Enquanto países do Golfo estabeleceram punições severas à divulgação de imagens e vídeos de locais atacados pelo Irã, os americanos pressionaram empresas privadas que capturam imagens a partir de satélites a interromper ou limitar a captação e divulgação das imagens da região no decorrer da guerra. Tanto a análise da BBC quanto a realizada anteriormente pelo Washington Post usaram como referência imagens capturadas por empresas privadas antes do início do conflito e compararam com capturas realizadas por outros fornecedores. O jornal americano citou como fonte o sistema europeu de satélites e imagens divulgadas pela mídia iraniana, checadas de forma independente. A análise britânica é o mais novo elemento a comprovar que a campanha iraniana conseguiu impor a custos altos a uma aliança militar muito mais poderosa militarmente. Dados citados pelo Intercept apontam 423 baixas, incluindo mortos e feridos, durante os ataques iranianos — alguns deles em ações da Guarda Revolucionária iraniana que demonstraram alto grau de sofisticação e preparo. Seis militares americanos morreram no porto de Shuaiba, no Kuwait, em 1º de março, em uma ação guiada pela inteligência iraniana. Um projétil iraniano atingiu um centro tático improvisado instalado em um complexo civil — um ataque direto pouco depois das 9h (horário local) e sem qualquer alerta prévio. O Financial Times publicou em abril que o Irã utilizou um satélite de fabricação chinesa para espionar e planejar ataques contra bases americanas e alvos estratégicos em países do Golfo Pérsico. O satélite teria sido adquirido pelas Forças Aeroespaciais da Guarda Revolucionária iraniana em 2024, junto com um software originalmente projetado para uso em "agricultura, monitoramento oceânico, gestão de emergências, supervisão de recursos naturais e transporte municipal" — revelando também uma aquisição de tecnologia de uso duplo por Teerã.