Os Estados Unidos anunciaram a realização de ataques durante o fim-de-semana no Sul do Irão, visando sistemas de radar e controlo de drones, tendo o Irão respondido com um ataque a uma base utiliza pelos EUA, apesar do cessar-fogo em vigor entre os dois países.Esta onda de ataques norte-americanos, a terceira em pouco mais de uma semana, teve como alvo a cidade de Goruk e a ilha de Qeshm, perto do estreito de Ormuz, informou o Comando Central do Exército dos EUA (Centcom, na sigla em inglês), no domingo, na rede social X.As operações foram realizadas “no sábado e no domingo em resposta a acções agressivas do Irão, incluindo o abate de um drone MQ-1 norte-americano que operava em águas internacionais”, acrescentou o Centcom, numa altura em que as negociações entre Washington e Teerão para pôr fim à guerra, iniciada em 28 de Fevereiro, se mantêm estagnadas. Também nesta segunda-feira, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, ordenou que as Forças Armadas atacassem alvos nos subúrbios a sul de Beirute, capital do Líbano, num reduto do Hezbollah conhecido como Dahiyeh.“Os caças norte-americanas responderam rapidamente, eliminando as defesas aéreas iranianas, uma estação de controlo terrestre e dois drones de ataque unidireccionais que representavam uma clara ameaça para as embarcações que transitavam pelas águas regionais”, acrescentou o comando norte-americano.Nenhum militar norte-americano ficou ferido, segundo o Centcom, que acrescentou que “continuará a proteger os activos e interesses dos EUA em resposta à agressão injustificada do Irão durante o actual cessar-fogo”.Num comunicado divulgado pela agência de notícias estatal IRNA, os Guardas da Revolução do Irão anunciaram que as forças norte-americanas visaram uma torre de telecomunicações numa ilha de Sirik, na província de Hormozgan. A força paramilitar disse que respondeu com um ataque contra a base utilizada pelos militares norte-americanos para realizar esta ofensiva contra o território iraniano, sem especificar a localização da base, mas garantiu que “os alvos pretendidos foram destruídos”.Os guardas alertaram que “se o ataque se repetir, a resposta será completamente diferente” e que “a responsabilidade recairá sobre o regime agressivo dos EUA”.Entretanto, as defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base dos EUA, interceptaram ataques de mísseis e drones nesta segunda-feira, enquanto sirenes soaram em todo o país, avançou a agência de notícias estatal KUNA, sem fornecer mais detalhes.O Kuwait afirmou na rede social X que as defesas aéreas abriram fogo durante a madrugada para interceptar disparos de drones e mísseis, sem especificar qual a zona do país afectada. As Forças Armadas disseram que “quaisquer sons de explosão que possam ser ouvidos são resultado da intercepção” e exortaram a população a seguir “as instruções de segurança emitidas pelas autoridades competentes”.Numa publicação nas redes sociais no final da noite deste domingo, o Presidente dos EUA não mencionou a troca de hostilidades, repetindo as alegações ainda não comprovadas de que o Irão “quer mesmo fazer um acordo”, e repreendeu os críticos, incluindo aqueles que descreveu como “republicanos aparentemente antipatrióticos”, pelas críticas às negociações para pôr fim ao conflito.“Apenas relaxem e fiquem tranquilos, vai dar tudo certo no final — dá sempre!”, escreveu Donald Trump na Truth Social.Trump está sob pressão para reabrir o estreito de Ormuz e, consequentemente, baixar os preços dos combustíveis nos EUA antes das eleições legislativas de Novembro. Ao mesmo tempo, enfrenta uma possível reacção negativa dos membros mais radicais do seu partido caso faça concessões a Teerão.Trump afirmou em diversas ocasiões que o seu principal objectivo com esta guerra é impedir que o Irão desenvolva uma arma nuclear através do urânio enriquecido que possui, mas Teerão nega veementemente esses planos. Os dois lados continuam em desacordo em várias outras questões, como as exigências de Teerão para o levantamento das sanções e a liberação de dezenas de milhões de dólares em receitas petrolíferas iranianas congeladas em bancos estrangeiros.