A Guarda Revolucionária do Irã informou que realizou ataques com mísseis e drones contra bases militares dos Estados Unidos na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein nesta quarta-feira, em retaliação aos bombardeios americanos contra alvos iranianos na região do Estreito de Ormuz. A troca de ataques, ocorrida após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que o Irã havia derrubado um helicóptero Apache americano próximo ao estreito, representa uma das escaladas mais significativas desde que Washington e Teerã concordaram com um cessar-fogo em abril. “Eu acredito que a resposta deve ser muito forte, muito poderosa, e é exatamente isso que esta [resposta] é”, disse Trump à ABC News na terça-feira após ordenar os ataques. Os militares americanos afirmaram ter atacado sistemas de defesa aérea iranianos, estações de controle terrestre e radares de vigilância no que classificaram como uma “resposta proporcional” à derrubada do helicóptero, cujos dois tripulantes foram resgatados. Os ataques mútuos de retaliação, ocorridos apenas alguns dias depois de o Irã e Israel terem trocado disparos pela primeira vez desde o cessar-fogo, lançam novas dúvidas sobre as perspectivas de um acordo para encerrar a guerra, iniciada em 28 de fevereiro com ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou que Teerã irá “reavaliar” seu engajamento diplomático com Washington após as “repetidas violações do cessar-fogo”. “Qualquer processo diplomático exige um ambiente minimamente estável”, disse Esmaeil Baghaei. Os ataques americanos duraram cerca de quatro horas. O Comando Central dos EUA informou pouco antes das 22h (horário de Brasília) que as operações haviam terminado. Uma autoridade americana disse que quase 20 alvos iranianos foram atingidos. A Guarda Revolucionária do Irã afirmou que a Ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik foram atacadas. A mídia iraniana também relatou explosões em Bandar Abbas, outro importante porto, e posteriormente nas proximidades de Jask, na entrada do Estreito de Ormuz. Resposta aos EUA A Guarda Revolucionária iraniana informou ter atacado bases americanas no Bahrein, Kuwait e Jordânia com drones e mísseis em resposta à nova “agressão americana”. Segundo a entidade, foram lançados mísseis de longo alcance contra quatro instalações na base americana de Al-Azraq, na Jordânia, incluindo hangares de caças F-35 e um centro de comando e controle. A Guarda Revolucionária declarou ainda estar preparada para oferecer uma resposta “devastadora e decisiva” a qualquer nova ação dos EUA. Uma autoridade americana, falando sob condição de anonimato, afirmou que avaliações preliminares indicavam que quase todos os mísseis e drones iranianos haviam sido interceptados, sem relatos imediatos de vítimas entre militares americanos ou danos às instalações dos EUA. As Forças Armadas da Jordânia disseram ter interceptado e abatido cinco mísseis lançados do Irã em direção à base de Al-Azraq e que os destroços não causaram feridos nem danos. O Ministério da Defesa do Kuwait informou ter interceptado “alvos aéreos hostis”, enquanto as defesas aéreas do Bahrein repeliram ataques iranianos, segundo um assessor de mídia do rei do país. O Kuwait abriga instalações militares americanas, incluindo uma importante base aérea, enquanto o Bahrein é sede da frota regional da Marinha dos EUA. O helicóptero de ataque americano foi derrubado por um drone suicida iraniano, segundo uma autoridade dos EUA que falou sob anonimato. Trump afirmou que os dois tripulantes saíram ilesos. A aeronave caiu em águas próximas à costa de Omã durante uma missão de patrulha por volta das 3h da manhã de terça-feira. Os militares americanos disseram que um drone naval localizou e resgatou a tripulação. A mídia estatal iraniana, citando uma fonte militar, afirmou que nenhuma operação aérea ofensiva havia sido realizada pelo Irã no Estreito de Ormuz nas 24 horas anteriores ao incidente. O Comando Central dos EUA informou que os dois tripulantes foram resgatados após duas horas e estavam em condição estável — uma descrição mais cautelosa do que a de Trump. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, não abordou diretamente o incidente, mas alertou em publicação na rede X que forças estrangeiras na região correm risco de acidentes ou de serem atingidas em meio ao fogo cruzado. “Para reduzir os riscos, a melhor solução é que elas saiam”, escreveu. Falando posteriormente ao Wall Street Journal, Trump minimizou o episódio, afirmando que “não foi grande coisa” e enfatizando que “o piloto está bem”. Acordo de paz distante Ainda assim, novos ataques provavelmente aumentarão as dificuldades para se alcançar um acordo de paz capaz de encerrar a guerra no Oriente Médio e reabrir plenamente o Estreito de Ormuz. O cessar-fogo anunciado no início de abril veio acompanhado da promessa de negociações de paz. Desde então, diplomatas tentam reabrir Ormuz, encerrar o bloqueio americano aos portos iranianos e criar um caminho para negociações sobre o programa nuclear do Irã. Trump tem afirmado repetidamente que um acordo está próximo, mas, apesar de várias rodadas de negociações indiretas mediadas pelo Paquistão e pelo Catar, os dois lados continuam muito distantes. Os combates em uma guerra paralela entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano, continuam. Além disso, Teerã mantém restrições à maior parte da navegação pelo estreito, que antes da guerra era responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo bruto e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Washington, por sua vez, mantém seu bloqueio aos portos iranianos. Trump afirma que qualquer acordo de paz deve garantir que o Irã não desenvolva armas nucleares. O governo iraniano nega ter essa intenção. Entre as exigências de Teerã estão o fim das sanções internacionais, a liberação de bilhões de dólares em ativos congelados, o reconhecimento de seu controle sobre o estreito e o fim dos combates no Líbano. Mísseis lançados pelo Irã a partir de Teerã em resposta a ataques dos EUA — Foto: WANA via Pool/via REUTERS
Irã ataca bases dos EUA no Golfo após retaliação americana por queda de helicóptero
Bases na Jordânia, no Kuwait e no Bahrein foram alvos de mísseis e drones iranianos; defesas aéreas interceptaram a maior parte dos ataques












