A escritora Olga Tokarczuk disse que usava inteligência artificial. Por isso, saíram várias notícias segundo as quais a escritora Olga Tokarczuk teria escrito o seu último livro com ajuda da inteligência artificial.
E então a escritora Olga Tokarczuk teve de vir esclarecer que usa a inteligência artificial para fazer pesquisa (que depois submete a verificação), tal como sempre fez e continua a fazer com livros, bibliotecas ou arquivos.
Durante alguns dias, porém, gerou-se uma pequena comoção: uma escritora galardoada com o prêmio Nobel escrevia os seus livros em parceria com um modelo de linguagem gerador de conteúdos.
Por isso, abri quatro desses modelos e perguntei-lhes se um romance escrito por eles seria literatura. De um modo mais ou menos categórico, todos disseram que não.
Alguns fizeram uma descrição pungente do que os desqualifica para produzir arte, que é o mesmo que nos impede de os considerar humanos: "Eu não tenho infância, ressentimentos, medo da morte, obsessões, não perdi alguém que amo, não senti o frio na barriga do primeiro beijo, não tive o coração partido."













