Há muito ruído em torno da ideia de que o pêndulo da política colombiana continuará do lado da esquerda ou se migrará para a direita neste domingo (31).
Legítima, mas, no caso colombiano, ela não esgota a discussão.
A verdadeira transformação é uma remexida no tradicional tabuleiro político. Durante décadas, a cúpula do poder ficou concentrada em poucas famílias: Pastrana, Samper, Santos, Gaviria, Turbay, Galán. Eram representantes de uma elite bogotana distante dos campos de café, da fronteira com a Venezuela, da amazônia, da costa empobrecida e dos territórios dominados pelo crime organizado.
Essa elite monopolizou o dinheiro, o prestígio e a política nacional. Ideologicamente, transitava entre uma direita liberal e uma social-democracia moderada. A polarização é um fenômeno relativamente novo na Colômbia.
Por décadas, a esquerda democrática teve pouca voz. Para boa parte dos colombianos, a palavra "esquerda" era associada à violência praticada por grupos armados como as Farc, o ELN e o M-19. Mesmo após os acordos de paz firmados com o M-19, o Quintín Lame e, anos depois, as Farc, essa percepção não desapareceu. Nos dois primeiros casos, antigos integrantes participaram da Assembleia Constituinte que elaborou a Constituição liberal de 1991.












