As narrativas têm sido muito torturadas de parte a parte do espectro ideológico, para 'encaixar' na 'história' política que cada lado quer contar RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 29/05/2026 - 19:58 "Desafios Fiscais: Propostas para uma Tributação Equilibrada em 2027" O artigo aborda a questão tributária no contexto político brasileiro, destacando a necessidade de uma agenda fiscal para 2027. Discute a narrativa ideológica sobre a carga tributária sob Bolsonaro e Lula, apontando que a dupla Bolsonaro/Paulo Guedes aumentou mais a receita líquida do governo. O texto propõe quatro orientações para o próximo governo, incluindo ajustes na tributação de rendimentos e redução de isenções fiscais, visando maior equilíbrio fiscal. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Este é o segundo artigo de uma série com propostas para serem implementadas em 2027. Começamos com o combate aos privilégios e hoje damos continuidade, com o tema tributário. Ulysses Guimarães dizia que, em política, ele se curvava diante de “sua Excelência, o fato”. Já o economista tem a obrigação similar de se curvar diante de “sua excelência, o dado”. E a verdade é que as narrativas têm sido muito torturadas de parte a parte do espectro ideológico, para “encaixar” na “história” política que cada lado quer contar. Quem aumentou mais a carga tributária? Bolsonaro antes ou Lula agora? A maioria tenderia a pensar que foi o segundo, mas a rigor foi a dupla Bolsonaro/Paulo Guedes. A receita líquida do Governo Central foi de 17,6% do PIB no final do governo Temer em 2018; de 18,4% do PIB no final da gestão Bolsonaro em 2022; e foi ligeiramente inferior, de 18,3% do PIB, em 2025. Ressalvo: considero que o governo anterior fez bem em fazer o que fez nesse campo, como forma de ajustar as contas. O que não faz sentido é, por pura ideologia, elogiar Paulo Guedes por ter deixado o governo com uma situação fiscal razoável em 2022 — em parte, devido à alta da arrecadação — e criticar o governo atual por ter elevado a carga tributária — o que, a rigor, não ocorreu. Isso quer dizer que o governo atual fez tudo certo na área? Não! Um simples dado dá uma ideia disso: entre 2016 e 2022, a despesa primária do Governo Central cedeu de 20,0% para 18,0% do PIB. E o que fez o governo Lula? Aumentou-a para 18,8% do PIB em 2025. A conclusão de 9 entre 10 analistas fiscais é que o próximo governo precisa ter uma agenda de contenção do gasto público, porque não dá para manter o ritmo de gasto dos últimos três anos, quando a despesa, usando o deflator do PIB, cresceu a uma média real de 4,6% a.a., muito superior à da expansão da economia no período. E eis aqui que aparece o problema que tem a ver com o assunto de hoje: assumindo uma hipótese de despesa primária do Governo Central de 19,1% do PIB, um crescimento real anual do gasto de 1,0% na média dos próximos quatro anos e, realisticamente, uma expansão da economia de 2,0% a.a., a despesa cairia apenas 0,7% do PIB em quatro anos. O ponto é que, se se quiser passar de um déficit primário consolidado de, grosso modo, 0,5% do PIB, para 1,0% de superávit primário no próximo governo, é impossível aspirar a uma melhora dessa magnitude apenas reduzindo a relação entre o gasto e o PIB: inevitavelmente, parte do esforço terá que vir de um incremento da receita. É possível não fazer isso — porém, nesse caso, é melhor esquecer qualquer aspiração a ter níveis de superávit primário entre 1% e 2% do PIB tão cedo. Dessas considerações, depreendem-se quatro orientações que seria recomendável o próximo governo — qualquer que seja o eleito — seguir: i) o país passou por muitas reformas nos últimos governos, com destaque para a tributária. Está na hora de diminuir o ativismo da tributação ao consumo, para deixar a reforma amadurecer e ver os resultados, sem grandes mudanças de agora em diante; ii) na tributação de rendimentos, há ainda uma agenda de fechamento de brechas que permitem que detentores de altas rendas, na prática, paguem impostos muito inferiores à incidência tributária que sofrem a classe média e os setores formalizados de altas rendas. A tarefa de fechar essas brechas, que ocupou parte da agenda do ministro Fernando Haddad, da Fazenda, no período 2023/2025, tem mérito e deveria ser continuada pelas futuras autoridades; iii) é preciso calibrar melhor os regimes simplificados (MEI, Simples e lucro presumido), mantendo o tratamento favorecido a quem couber, mas corrigindo distorções que favorecem aqueles com maiores rendimentos; e iv) há uma vasta agenda de temas a tratar em termos de redução das isenções fiscais, como ingrediente obrigatório de uma política para ampliar a receita em torno de 0,5% a 1,0% do PIB nos próximos quatro anos.
Agenda 2027 (II): A questão tributária
As narrativas têm sido muito torturadas de parte a parte do espectro ideológico, para 'encaixar' na 'história' política que cada lado quer contar










