O Congresso do México, dominado pelo Morena, o partido da presidente Claudia Sheinbaum, concluiu nesta sexta-feira (29) a aprovação de uma reforma constitucional que permite a anulação de eleições nas quais se comprove que o resultado sofreu interferência estrangeira.
A medida desperta preocupação entre opositores e especialistas, que veem muita amplitude no texto e portanto espaço para que se alegue interferência por atos irrisórios como declarações de líderes estrangeiros ou publicações em veículos de outros países.
"O que conta como 'interferência estrangeira' sob essa lei? Praticamente qualquer coisa. Uma declaração de uma autoridade dos EUA ou uma decisão de política pública de um governo estrangeiro. Um editorial de um jornal britânico, uma investigação jornalística de uma emissora nos EUA ou uma reportagem em uma revista francesa. [...] Essa lei é um cheque em branco, e o Morena tem a caneta", afirmou Arturo Sarukhan, ex-embaixador mexicano nos EUA, em publicação no X.
Sob pressão do governo de Donald Trump, o México viu o país vizinho declarar cartéis mexicanos como organizações terroristas, sob o receio de que a mudança de entendimento em Washington possa justificar ações militares em território mexicano.















