Na noite de 16 de janeiro de 1920, bares e restaurantes por todos os Estados Unidos serviram taças gratuitas de vinho, conhaque e uísque. Em outros, a garrafa de champanhe custou trinta dólares, mais do que o salário semanal de um operário. Cartazes traziam alertas. “Adeus, drink. Portas fecham no sábado!”

À meia-noite e um de 17 de janeiro de 1920, a Lei Volstead entrou em vigor, consolidando a derrubada do veto do presidente Wilson e impondo a proibição da fabricação e da venda de álcool nos Estados Unidos, uma lei que até hoje é motivo de discussão em relação à sua aprovação. Logo após sua sanção, os jornalistas da revista The Economist escreveram que uma lei impossível de aplicar não apenas falha em seu objetivo, mas deixa “a lei, o legislativo e o executivo ao desprezo público”.

Contrabandistas cruzavam as fronteiras com o Canadá e o México, navios britânicos transferiam cargas de álcool para barcos rápidos na costa, destilarias clandestinas operavam em terra. O mapa vinícola americano foi transformado. Antes da legislação, Missouri, Nova York, Ohio, Illinois, Geórgia, Novo México produziam vinho em escala. A Stone Hill Winery, fundada em 1847 na cidade de Hermann, Missouri, produzia mais de um milhão de galões por ano na década de 1870 e era a segunda maior vinícola do país. Na Califórnia, 713 vinícolas operavam em 1919. A 18ª Emenda, que proibia a fabricação, a venda e o transporte de “bebidas inebriantes”, fechou portas. As caves subterrâneas da Stone Hill passaram a cultivar cogumelos. Só reabriram em 1965.