Artista sofria problemas de saúde desde maio do ano passado Pedro Ortaça (1942-2026) — Foto: Reprodução Morreu nesta sexta-feira (29), aos 83 anos, o cantor e compositor Pedro Ortaça, ícone da música gaúcha. Segundo a emissora RBS, Ortaça, que enfrentava problemas de saúde desde maio do ano passado, estava internado no Hospital de Clínicas de Ijuí, na Região Noroeste do Rio Grande do Sul. Ele havia passado por uma cirurgia na quinta-feira (28) e foi transferido para a unidade de terapia intensiva (UTI), onde sofreu três paradas cardiorrespiratórias antes de morrer na madrugada desta sexta. Depois de passar por uma cerimônia de despedida em Ijuí, no CTG Farroupilha, pela manhã, o corpo de Pedro Ortaça será velado na Câmara dos Vereadores de São Luiza Gonzaga, sua cidade natal, às 14h30. A Prefeitura de São Luiz Gonzaga decretou luto oficial de três dias em razão da morte do artista. Cultura missioneira Pedro Ortaça nasceu em 29 de janeiro de 1942, em São Luiz Gonzaga, no Rio Grande do Sul, região profundamente marcada pela cultura missioneira e pela tradição gaúcha. Filho de agricultores descendentes de espanhóis, cresceu em contato direto com a vida no campo, experiência que mais tarde se tornaria matéria-prima de sua obra musical. Ainda jovem, começou a tocar instrumentos e a compor canções inspiradas no cotidiano rural, nas paisagens do pampa e na identidade cultural do sul do Brasil. Ao lado de nomes como Jayme Caetano Braun, Noel Guarany e Cenair Maicá, Pedro Ortaça passou a integrar o grupo conhecido como Os Quatro Troncos Missioneiros, fundamental para a consolidação da música missioneira nas décadas de 1970 e 1980. O movimento ajudou a fortalecer uma sonoridade regional baseada em ritmos como milonga e chamamé, além de letras voltadas à memória histórica das Missões Jesuíticas, à vida campeira e às questões sociais do interior gaúcho. A obra de Ortaça se destacou pela defesa da cultura regional e pelo forte conteúdo humano e social. Em suas composições, o artista frequentemente retrata o trabalhador do campo, os povos indígenas, os imigrantes e os personagens esquecidos da fronteira sul. Dono de uma voz grave e marcante, também ficou conhecido pelo estilo simples e autêntico, mantendo durante toda a carreira uma ligação estreita com as raízes populares do Rio Grande do Sul. Em 2025, ele recebeu o título de doutor Honoris Causa da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e também da Universidade Federal do Pampa (Unipampa).