Uma juíza dos Estados Unidos bloqueou temporariamente nesta sexta-feira o governo do presidente Donald Trump de criar um fundo de quase US$ 1,8 bilhão para compensar vítimas do que Trump chamou de “instrumentalização” do governo americano. A decisão da juíza distrital Leonie Brinkema, do Distrito Leste da Virgínia, impede o governo Trump de “tomar qualquer medida adicional” para criar ou operar o fundo enquanto a magistrada analisa novos argumentos jurídicos. A ordem permanecerá em vigor pelo menos até 12 de junho. O Departamento de Justiça anunciou a criação de um “Fundo Anti-instrumentalização” na semana passada como parte de um acordo para encerrar o processo movido por Trump contra a Receita Federal dos EUA (IRS) pelo vazamento de suas declarações de imposto de renda. O governo estabeleceu um fundo de US$ 1,776 bilhão supervisionado por uma comissão de cinco membros para distribuir pagamentos àqueles que comprovarem ter sido vítimas de “lawfare” e “instrumentalização”, termos usados por Trump e seus aliados para descrever investigações e processos criminais contra eles. O ano de 1776 é o da independência americana. A decisão desta sexta-feira ocorreu em resposta a uma ação movida por um grupo que afirma ter sido alvo “do governo Trump-Vance como opositores ideológicos ou políticos” e alegou que não teria direito a compensações do fundo. “Esta é uma vitória para a transparência, o Estado de Direito e o povo americano”, disse Skye Perryman, presidente da Democracy Forward, grupo anti-Trump responsável pela ação. “Nenhum governo tem autoridade para gastar dinheiro público por meio de um programa de recompensas políticas.” Um porta-voz do Departamento de Justiça não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. O secretário de Justiça interino, Todd Blanche, afirmou que não há critérios partidários para determinar quem pode receber compensação. O fundo provocou reações negativas até mesmo entre alguns parlamentares do Partido Republicano de Trump, que manifestaram indignação com a possibilidade de pessoas que participaram do ataque ao Capitólio dos EUA em 6 de janeiro de 2021 receberem pagamentos financiados pelos contribuintes. A iniciativa foi amplamente criticada como um “caixa 2” destinado a beneficiar aliados políticos de Trump. A ação da Democracy Forward é uma de pelo menos três que contestam a criação do fundo. Brinkema afirmou que a ordem temporária era necessária para preservar a situação atual e evitar que recursos fossem “irreversivelmente distribuídos” antes que ela analisasse o pedido dos autores para bloquear temporariamente o fundo. O grupo que moveu a ação inclui uma ex-promotora do Departamento de Justiça que atuou nos processos contra participantes dos atos de 6 de janeiro e um professor da Califórnia que foi preso enquanto protestava contra uma operação de imigração.