PUBLICIDADE Departamento de Justiça dos EUA sinalizou que cumpriria decisão temporariamente, enquanto fontes afirmam que presidente está revendo criação do mecanismo O presidente dos EUA, Donald Trump, fotografado durante reunião de Gabinete no sábado: fundo bilionário para indenizar aliados é motivo de divergência entre republicanos — Foto: Kent Nishimura/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 02/06/2026 - 09:08 Republicanos Debatem Fundo de US$ 1,8 Bi de Trump Após Suspensão Judicial Os republicanos agendaram uma reunião para discutir o fundo de US$ 1,8 bilhão proposto por Trump para compensar aliados perseguidos judicialmente, suspenso após decisão da juíza Leonie Brinkema. Fontes indicam que Trump pode recuar da ideia, criticada como favorecimento. O fundo foi parte de um acordo contra a Receita Federal. A suspensão judicial trouxe alívio ao governo, que enfrenta resistência dentro do próprio partido. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Senadores do Partido Republicano agendaram uma reunião para esta terça-feira para discutir o futuro do fundo de US$ 1,8 bilhão (R$ 9,04 bilhões no câmbio atual) criado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para indenizar pessoas que alegam ter sido vítimas de perseguição judicial durante o governo Joe Biden, após o Departamento de Justiça anunciar, na segunda-feira, que vai cumprir uma decisão judicial que o suspende temporariamente. O anúncio acontece em um momento em que fontes ouvidas pela imprensa americana afirmam que o próprio presidente está recuando da ideia, que críticos denunciaram como um mecanismo para favorecer aliados. Pessoas familiarizadas com as discussões, ouvidas sob condição de anonimato pelo New York Times, afirmaram que Trump vinha se inclinando há dias a abandonar a criação do fundo. O governo sinalizou a retirada na segunda-feira, quando o Departamento de Justiça declarou, em nota, que cumpriria a ordem da juíza federal Leonie Brinkema, que proibiu o governo de operar o fundo antes de uma audiência marcada para 12 de junho. O departamento expressou "profundo desacordo", mas afirmou que vai respeitá-la. O fundo foi criado em 18 de maio, como parte de um acordo extraordinário no processo civil movido por Trump contra a Receita Federal dos Estados Unidos (IRS, na sigla em inglês) pelo vazamento de suas declarações fiscais. As autoridades americanas afirmaram que o valor seria usado para compensar vítimas de perseguição judicial. Não está claro se a eliminação do fundo afeta outra parte do acordo relacionado ao caso, que concede a Trump, sua família e suas empresas proteção contra auditorias. Integrantes do governo expressaram, em caráter reservado, alívio pelo fato de a decisão judicial ter oferecido uma saída para o que a maioria considerava um problema criado pela própria equipe de Trump. A medida provocou uma rara resistência entre republicanos, e alguns deles cobraram garantias firmes. O senador John Thune, republicano da Dakota do Sul e líder da maioria no Senado, afirmou que a nota do Departamento de Justiça talvez não fosse "suficiente para satisfazer vários" parlamentares. Ao ser questionado sobre a possibilidade de Trump vetar um projeto de lei destinado a restringir o fundo, ele afirmou que sim. A Câmara Alta do Legislativo americano se tornou palco de uma disputa envolvendo a criação do fundo. Com a votação de um projeto de lei para financiar as agências de controle a imigração de Trump na pauta, democratas sugeriram que apresentariam emendas ao projeto para eliminar ou reduzir o fundo de indenização — o que na prática forçaria os republicanos a se posicionarem sobre o tema polêmico, colocando em risco o dinheiro destinado ao Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e à Patrulha da Fronteira. Mesmo lado da disputa Antes da decisão da juíza federal Brinkema, suspendendo a operação do fundo, a medida anunciada por Trump já havia sofrido um primeiro revés judicial quando juíza Kathleen Williams, responsável por supervisionar a ação de Trump contra a IRS, reabriu o caso, afirmando que desejava investigar "graves alegações" de que o acordo apressado para encerrar o processo havia sido "baseado em engano". A magistrada sempre demonstrou reservas em relação ao processo, considerando que Trump estava processando uma agência federal que ele próprio controlava, o que significava que, na prática, ocupava ambos os lados da disputa. O motivo para reexaminar a ação era investigar se o presidente havia essencialmente conspirado com seu próprio governo para encerrar o caso "a fim de evitar o escrutínio judicial". Mesmo que Trump abandone completamente o fundo, ainda existem outros caminhos pelos quais seus aliados poderiam buscar compensações do governo por aquilo que consideram ter sido uma instrumentalização política da Justiça. Eles poderiam apresentar ações judiciais individuais ou reivindicações administrativas de indenização, que o governo poderia simplesmente concordar em resolver caso a caso. Em março, por exemplo, o Departamento de Justiça concordou em pagar US$ 1,25 milhão a Michael T. Flynn, ex-conselheiro de Segurança Nacional de Trump, para encerrar alegações de que ele havia sido processado injustamente por prestar declarações falsas a agentes federais que investigavam ligações entre a Rússia e a campanha presidencial de Trump em 2016. (Flynn declarou-se culpado de mentir no caso, mas foi perdoado por Trump perto do fim de seu primeiro mandato.) Diversos participantes da invasão ao Capitólio em 6 de janeiro, incluindo integrantes do grupo de extrema direita Proud Boys que foram processados por conspiração sediciosa, também moveram ações contra o Departamento de Justiça alegando má conduta por parte dos promotores. (Com NYT e AFP)