Luís Montenegro anunciou na quinta-feira à noite, no distrito de Leiria, que o Governo vai aprovar nesta sexta-feira, em Conselho de Ministros, a Prestação Social Única, prometida há quatro anos à Comissão Europeia e que, segundo avança o Expresso, irá pressupor que os beneficiários realizem “trabalho social”.A medida, que visa juntar debaixo das mesmas condições de acesso 13 prestações sociais, entre as quais o Rendimento Social de Inserção (RSI), estava inscrita no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e pode agora ver a luz do dia, mediante algumas condições, nomeadamente a do “trabalho social”, que, diz aquele semanário sem identificar a fonte, não se aplica a “pensionistas e crianças, que não têm a obrigação de trabalhar”, embora o tipo de trabalho em causa não seja especificado.Numa acção de campanha para as directas do PSD em Ansião, o líder social-democrata e primeiro-ministro salientou que o Governo está a decidir, a cumprir a sua obrigação, “assim as forças com representação parlamentar também tenham esse espírito” e se sujeitem no fim do mandato a serem julgados.Numa sala praticamente cheia, Luís Montenegro mostrou ambição e disse que consegue mais, mostrando-se mais motivado na liderança do PSD do que há quatro anos. “Os portugueses em casa não podem levar a mal que não estejamos nada disponíveis para aqueles jogos políticos florais e aquelas perdas de tempo e conversas que uns têm com outros e os outros com uns, que são praticamente os mesmos a dizerem as mesmas coisas.”Apesar de admitir que isso faz parte da democracia, Montenegro disse que “não é aí” que quer estar. “Há outros para viver aí, nós não. Nós vivemos na acção, na decisão, na implementação, na responsabilidade e em tornar real aquilo que começa por ser uma ideia”, sublinhou.O líder social-democrata garantiu que o Governo não “vai perder tempo com especulações, com antecipações, projecções nem andar a fazer tempo com avaliações que possam estar deslocadas na capacidade de reflectirem a vontade política do povo português. E, aos críticos, Luís Montenegro disse que têm de conviver nos próximos dois anos com “a realidade político-eleitoral” que saiu das últimas eleições legislativas.Reiterando que a coligação da AD (PSD/CDS-PP) não quer “governar com ninguém, nem com o Chega, nem com o PS”, Montenegro mostrou-se aberto, caso a caso, a dialogar e negociar com ambos, que “são aqueles que dispõem de uma representação que o povo quis e que podem aprovar as propostas do Governo na Assembleia da República”.O primeiro-ministro, que falava como dirigente partidário, frisou que não é preciso “estar a temer pelo funcionamento do sistema” e a ter pensamentos “algo depressivos, de que parece que não existe solução e que isto está num impasse”.“Não está num impasse nenhum. Há um Governo a governar, que tem decidido tanta coisa que quase todos comentam”, enfatizou, salientando que o executivo vai “trabalhar muito” para honrar os seus compromissos”.Luís Montenegro, que discursou durante 50 minutos, disse que o Governo está “absolutamente focado” em não frustrar as expectativas do povo, passando depois em revista a actuação do seu executivo em vários sectores.No caso da habitação, o líder do PSD disse que “nunca” houve em Portugal um investimento como aquele que o Governo está a fazer, salientando que o executivo vai superar “o grande impulso de investimento que houve nos anos de governo de Cavaco Silva e que foi o maior de sempre”.