A menos de cinco meses para as eleições, os escândalos do Banco Master ainda chocam parte honesta da população brasileira. Há muita gente séria neste país que não consegue compreender —ou, ao menos, não consegue aceitar— o grau de degradação moral ao qual fomos conduzidos. Por isso, em nome da memória, sigo voltando ao assunto.

A esta altura do campeonato, tem sido muito difícil explicar para alguém de fora do Brasil como a exploração sexual de mulheres, inclusive estrangeiras, pôde permanecer incólume na mesa de negociação da delação premiada de um ex-banqueiro. E pior: com uma mídia apática, passiva, como se nada tivesse acontecido.

Há milhares de jornalistas no Brasil e, ainda assim, parece não haver profissionais dispostos a enquadrar representantes do establishment, seja na política institucional, seja no sistema de Justiça, seja no empresariado, com uma pergunta elementar:

"Como Vossa Excelência vê as notícias sobre orgias financiadas por Daniel Vorcaro com garotas de programa estrangeiras e a possível participação de autoridades públicas?".

Um país ao avesso, organizado por estruturas como racismo e sexismo, ignora solenemente que são homens brancos que estão no entorno do banqueiro. Homens que controlam as instituições, os fluxos financeiros, os tribunais, a imprensa, os grandes escritórios, os gabinetes e os aparelhos de investigação do país.