O esquema de lavagem de dinheiro investigado pela Receita Federal e pelo MPSP (Ministério Público de São Paulo), alvo de operação policial nesta quinta-feira (28), começava em uma rede de postos de combustíveis, lojas de conveniência e padarias.

O aprofundamento das investigações levou a fornecedores de petróleo e portos secos no interior do Brasil, identificando R$ 4 bilhões em transações comerciais entre setembro e abril.

Essa teia de empresas começou a ser revelada com a investigação que culminou na operação Carbono Oculto, em agosto do ano passado. Os documentos, computadores e celulares apreendidos na ocasião levaram os agentes a novas companhias, incluindo fornecedores autorizados de nafta —derivado do petróleo usado como solvente na gasolina— e operadores logísticos.

A investigação aponta Mohamad Mourad como um dos líderes do tráfico de combustível adulterado —seu advogado não atendeu a Folha até a publicação desta reportagem. Conhecido como Primo, ele suspeito de ser um dos principais operadores de um esquema bilionário de lavagem de dinheiro para o crime organizado no setor de combustíveis.

O núcleo do negócio sob investigação é a venda de combustível adulterado com nafta, cujo valor de mercado é inferior ao da gasolina. Para movimentar os recursos gerados pela fraude, a organização criminosa utilizava fintechs e fundos de investimento, mapeados na operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta.