O fundamentalismo religioso elegeu um novo demônio. Após décadas de ataques às religiões de matriz africana, influenciadores e políticos neopentecostais iniciaram uma cruzada contra Sigmund Freud. Ou melhor, aos princípios da psicanálise. “Se só Jesus pode perdoar pecados, qual das mais de 500 abordagens psicológicas oferece Jesus como tratamento?”, pergunta o pastor Rodrigo Mocellin, da Igreja Resgatar Guaratinguetá, em vídeo nas redes sociais em defesa da chamada “psicologia cristã”. Segundo o movimento, angústias, dores emocionais e conflitos existenciais levados diariamente aos consultórios devem ser tratados a partir da fé cristã. “Se você conhece o único remédio capaz de curar a culpa, seria ético não usá-lo? Toda ciência parte de pressupostos religiosos, toda ciência é, sim, religião”, continua o influenciador, que soma quase 700 mil inscritos no YouTube e mais de 240 mil seguidores no Instagram.
No Congresso, o senador Magno Malta, do PL capixaba, é autor do Projeto de Resolução 03, deste ano, que propõe a criação da Frente Parlamentar Mista em Defesa da Liberdade Religiosa dos Psicólogos Cristãos. A iniciativa objetiva derrubar a Resolução 07, de 2023, do Conselho Federal de Psicologia, um veto ao uso de práticas religiosas como método de atendimento psicológico. O texto tramita na Comissão de Assuntos Sociais e tem como relator o senador Eduardo Girão, do Novo cearense, bolsonarista de quatro costados. No Supremo Tribunal Federal, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade pede o reconhecimento da Psicologia Cristã como especialidade profissional, sob o argumento de que psicólogos alinhados à vertente seriam perseguidos pelo Conselho Federal. Relator do caso, o ministro Alexandre de Moraes, apresentou parecer favorável à resolução do CFP, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do colega Edson Fachin.










