Data foi criada em resposta à demissão de médica que defendeu a masturbação publicamente Masturbação pode reduzir o estresse, aponta sexóloga — Foto: Unsplash RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 14:43 Dia da Masturbação: Celebrando Saúde Sexual e Quebrando Tabus O Dia da Masturbação, celebrado em 28 de maio, foi criado em 1995 em resposta à demissão da médica Joycelyn Elders por defender a inclusão da masturbação na educação sexual. Especialistas afirmam que a prática, apesar de estigmatizada, traz benefícios físicos e emocionais, como redução do estresse e autoconhecimento. As discussões buscam desmistificar tabus e promover uma relação saudável com a sexualidade. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Embora cercada por tabus e constrangimentos há séculos, a masturbação vem sendo cada vez mais reconhecida por especialistas como uma prática ligada ao autoconhecimento, ao prazer e à saúde sexual. Celebrado internacionalmente nesta quinta-feira (28), o chamado “Mês da Masturbação” busca ampliar o debate sobre educação sexual e combater estigmas que ainda persistem em torno do tema. A campanha surgiu nos Estados Unidos, em 1995, após a repercussão do caso da médica americana Joycelyn Elders. Um ano antes, ela foi demitida do cargo de cirurgiã-geral do governo americano depois de defender, em um debate sobre saúde pública, que a masturbação fosse tratada nas escolas como parte da educação sexual, contribuindo para a prevenção da gravidez precoce e das infecções sexualmente transmissíveis. A partir do episódio, uma loja de brinquedos sexuais na Califórnia criou a data como uma resposta à demissão de Elders e também como uma forma de enfrentar o silenciamento e o preconceito em torno da prática. Apesar do avanço das discussões sobre sexualidade, falar abertamente sobre masturbação ainda é um desafio para muitas pessoas. Segundo a sexóloga Adriana Ribeiro, vergonha, culpa e desinformação continuam sendo barreiras importantes para tratar o assunto de forma natural. — Falar sobre masturbação continua sendo um desafio devido a múltiplas barreiras psicológicas, sociais e culturais profundamente enraizadas, incluindo vergonha, estigmas e diversos tabus religiosos — afirma. A especialista explica que a falta de educação sexual adequada faz com que muitas pessoas aprendam sobre sexualidade por meio de informações incompletas ou equivocadas, o que contribui para a manutenção de mitos e preconceitos. — A masturbação ainda é frequentemente cercada por culpa e vergonha, sentimentos que não decorrem da prática em si, mas dos significados sociais e individuais atribuídos a ela. Em geral, estão relacionados a influências culturais, religiosas e familiares que historicamente a associam a ideias de pecado, imoralidade ou algo “sujo” — diz Adriana. Do ponto de vista científico, porém, a prática é considerada parte natural do desenvolvimento sexual e pode trazer benefícios físicos e emocionais. Adriana destaca que a masturbação contribui para a redução do estresse e da ansiedade, melhora a qualidade do sono e fortalece o autoconhecimento corporal. — A masturbação permite maior conhecimento do próprio corpo, o que pode facilitar a comunicação com as parcerias e contribuir para uma vida sexual mais satisfatória — explica. Ela ressalta ainda que não existe uma frequência considerada “ideal” para a prática. — O mais importante não é o número de vezes, mas o contexto em que essa prática ocorre e como a pessoa se sente em relação a ela. A masturbação passa a ser considerada problemática quando há sofrimento, perda de controle ou prejuízo funcional — afirma. Para a terapeuta sexual Mariana Kiss, além de ajudar a quebrar tabus relacionados à sexualidade, a masturbação também pode trazer diversos benefícios para a saúde física, emocional e sexual. — Eu gosto de chamar a prática de “automapeamento amoroso” ou “automapeamento erótico”. É uma forma de conhecer o próprio corpo, entender quais estímulos geram prazer e fortalecer a relação da pessoa com a própria sexualidade — afirma. Segundo Mariana, a prática contribui para o autoconhecimento físico e ajuda homens e mulheres a compreenderem melhor as próprias zonas de prazer, além de proporcionar diversos benefícios. — Os toques estimulam a musculatura pélvica, ajudando a prevenir problemas como a incontinência urinária. Nos homens, a masturbação também auxilia na saúde da próstata e na produção contínua de espermatozoides — explica. Além disso, de acordo com a terapeuta sexual, o estímulo sexual promove a liberação de hormônios ligados ao prazer e ao bem-estar. — Há produção de hormônios como ocitocina, relacionada à conexão emocional, e dopamina, ligada à sensação de prazer e motivação. Quando feita com calma, a masturbação também pode proporcionar relaxamento mental e muscular, funcionando quase como uma meditação corporal — afirma. Em meio à popularização do tema nas redes sociais, as especialistas alertam que, apesar de a internet ajudar a ampliar o debate, também é preciso cuidado com conteúdos sem embasamento científico. — Muitos influenciadores se intitulam sexólogos ou terapeutas sexuais sem formação acadêmica adequada, o que acaba aumentando mitos e desinformações sobre sexualidade — alerta Kiss. Para Adriana Ribeiro, datas como o Dia da Masturbação cumprem um papel importante ao abrir espaço para discussões mais responsáveis sobre saúde sexual. — Essas iniciativas ajudam a normalizar a prática como parte da sexualidade humana e contribuem para a desconstrução da culpa e da vergonha associadas ao tema — conclui.