A União Europeia quer amplos poderes de emergência para intervir nas cadeias de suprimento de semicondutores da Europa durante períodos de escassez, incluindo a possibilidade de obrigar fabricantes de chips a desrespeitar contratos já existentes, noticiou o Financial Times. O projeto de lei que daria esses poderes, visto pelo FT, também prevê compras conjuntas para aumentar o poder de negociação do bloco. A medida representaria uma clara ampliação dos poderes da UE para intervir diretamente em cadeias industriais de suprimento. Em meio às tensões entre Pequim e Washington, crescem na Europa os temores de que os semicondutores possam se tornar uma ferramenta de coerção econômica, preocupação intensificada pela dependência europeia de Taiwan para chips de alto desempenho. Os riscos ficaram evidentes no ano passado, quando o governo holandês assumiu o controle da fabricante de chips Nexperia, retirando-a de seu proprietário chinês devido a preocupações de que a empresa estivesse transferindo produção e ativos para fora da Europa. O fluxo de chips da divisão chinesa da Nexperia desacelerou drasticamente, forçando algumas montadoras europeias a reduzir a produção. O projeto de lei, que ainda pode sofrer alterações antes de sua publicação, prevista para a próxima semana, daria à Comissão Europeia poderes amplos em caso de escassez de semicondutores que ameace o fornecimento de armas, dispositivos médicos, infraestrutura digital e outras categorias essenciais de produtos. Em uma situação de crise, a Comissão poderia impor multas de até 300 mil euros a empresas que deixassem de fornecer informações solicitadas sobre sua capacidade na cadeia de suprimentos. Ela também poderia “obrigar fabricantes de semicondutores a priorizar pedidos de produtos essenciais para crises, sobrepondo-se a contratos existentes”, afirma o texto do projeto. Bruxelas também poderia autorizar compras conjuntas para “fortalecer o poder de negociação e evitar competição entre países da UE por suprimentos limitados”. Nesse caso, a Comissão atuaria como compradora central para vários países do bloco, como fez na aquisição de vacinas durante a pandemia. A Comissão Europeia se recusou a comentar.