O superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, disse hoje que a liquidação extrajudicial da Infinite Seguradora, decretada neste mês, não deve interromper a política de ampliação da concorrência no setor e os estímulos à entrada de novos participantes. “O objetivo de trazer mais gente para o mercado não vai retroceder”, afirmou ao Valor. Mais cedo, durante painel no evento Insurtech Brasil, em São Paulo, Octaviani citou o caso da Infinite e disse que as regras do setor precisam ser rígidas. “Neste mercado, só ficará quem se comportar muito bem com as provisões técnicas e com o consumidor. Quem não se comportar, não ficará”, afirmou. A Infinite era uma companhia jovem no setor. Foi criada em abril de 2023 e obteve a autorização da Susep em outubro daquele ano. Já no ano seguinte, foram encontrados indícios de falhas da companhia, liquidada devido à “grave deterioração” da situação econômico-financeira, com insuficiência patrimonial e falhas na estrutura de gestão de riscos. A empresa operava principalmente com seguro garantia. Segundo Octaviani, o processo seguiu “todos os procedimentos técnicos” e a atuação da autarquia foi rápida. Como mostrou o Valor, antes mesmo de a Susep decretar a liquidação, seguradoras que atuam com seguro garantia começaram a se articular para criar um sistema de autorregulação em uma iniciativa inédita no país. A ideia seria evitar casos parecidos com o da Infinite, que pudessem impactar a imagem desse tipo de produto, que cresceu no país nos últimos anos e atraiu novos players. O superintendente acredita que novas empresas continuarão a entrar nesse e em outros mercados, como auto e vida, em um movimento positivo para um país que tem baixa penetração de seguros. Segundo ele, o papel do regulador é garantir e incentivar a livre concorrência, ao mesmo tempo em que mantém a supervisão sobre novos entrantes e companhias já estabelecidas. “Não existe privilégio para ninguém. Tanto o novo entrante quanto a companhia tradicional estão sujeitos à supervisão e à fiscalização”, disse. Alessandro Octaviani, superintendente da Susep — Foto: Gabriel Reis/Valor