A fiscalização da Susep também identificou inconsistências e omissões em informações prestadas pela seguradora do Paraná 0.5x 1x 1.25x 1.5x 2x 00:00 00:00 Susep suspende autorização da Sudaseg após vendas irregulares de seguros a idosos — Foto: Unsplash A Superintendência de Seguros Privados (Susep) suspendeu a venda de coberturas pela Sudaseg, uma companhia sediada no Paraná e especializada em seguros de pessoas. O conselho diretor da autarquia aprovou, na quarta-feira (12), por unanimidade, a aplicação da medida cautelar, após a fiscalização identificar irregularidades na comercialização de seguros, incluindo casos de contratação sem o consentimento livre, informado e inequívoco dos consumidores, utilização irregular de dados pessoais e apresentação de informações consideradas enganosas durante a venda dos produtos. A fiscalização da Susep também identificou inconsistências e omissões em informações prestadas pela seguradora. As práticas de comercialização atingiam especialmente pessoas idosas, inclusive com o uso de dados pessoais obtidos de forma irregular, informações falsas e se utilizando da vulnerabilidade desse público consumidor para viabilizar a contratação de seguros. A fiscalização analisou reclamações, documentos, bases de dados e gravações de operações de venda realizadas pela seguradora e por seus representantes. Foi identificado um padrão nas vendas de seguro feitas por telefone. Segundo Julia Lins, diretora da Susep, as gravações mostram uma abordagem em que o benefício era associado à idade do consumidor, seguida de uma apresentação rápida dos valores segurados e do prêmio, sem pausa para esclarecimentos. Ao final, respostas monossilábicas eram consideradas como anuência à contratação. “A repetição da mesma estrutura em ligações distintas (...) revela não se tratar de um improviso de um ou outro atendente, mas de um roteiro comercial realmente padronizado”, disse Lins durante o seu voto. A Sudaseg foi fundada em 2018. Entre 2020 e 2023, a arrecadação da companhia cresceu, em média, 74% ao ano, contra 12% do setor. A partir de 2024, o crescimento perdeu fôlego e a desaceleração foi acompanhada do aumento das taxas de cancelamento em níveis superiores ao mercado, conforme mostrou a investigação. Entre 2020 e março de 2025, as ouvidorias registraram 935 reclamações envolvendo a Sudaseg. Dessas, 99,25% foram classificadas como procedentes, segundo a diretora. Na plataforma “consumidor.gov”, foram identificadas 172 reclamações entre janeiro de 2021 e maio de 2025, sendo a maioria relacionada à cobrança por serviço ou produto não contratado, não reconhecido ou não solicitado. “As irregularidades apuradas não decorrem de falha pontual, isolada ou atribuível a um único atendimento, mas de um padrão institucionalizado que atravessa a venda, a regulação de sinistros e a própria relação da empresa com sua autoridade supervisora”, concluiu Lins. Ao proferir o seu voto, o superintendente da Susep, Alessandro Octaviani, disse que o caso se tratava de uma estratégia organizada de ataque ao patrimônio de uma população vulnerável e relacionou a forma como a seguradora comercializava os produtos com os seus níveis de sinistralidade. Segundo ele, a seguradora teria, de um lado, uma estratégia de venda rápida e pouco esclarecedora, dirigida principalmente a idosos, que resultava na cobrança de prêmios de consumidores que poderiam nem ter compreendido ou reconhecido a contratação; de outro, apresentava uma sinistralidade muito inferior à do mercado. Na avaliação do superintendente, essa combinação levanta a possibilidade de que muitos segurados sequer soubessem que tinham uma cobertura e, por isso, não comunicassem eventuais sinistros. “Nós temos aqui no começo uma oferta que é feita de maneira açodada, recolhe-se um monte de prêmio e depois nunca existe sinistro. Portanto, todo esse prêmio é revertido em benefício daquela empresa que está ofertando. Você vai em busca de quem não queria contratar seguro, recolhe esse prêmio de quem nunca concordou em pagar aquela indenização e nunca tem sinistro. Essa é a operação que foi mostrada aqui com os dados.” Segundo a Susep, “a medida cautelar tem caráter preventivo e busca impedir a continuidade das práticas identificadas durante a fiscalização enquanto prosseguem os processos administrativos destinados à apuração das responsabilidades”. Conforme a autarquia, a suspensão não constitui decisão definitiva quanto às infrações, que serão analisadas nos respectivos processos administrativos sancionadores, assegurados o contraditório e a ampla defesa. A partir da ciência da decisão, a Sudaseg fica impedida de celebrar novos contratos de seguros nos grupos abrangidos pela medida. Os contratos atualmente em vigor somente poderão ser renovados mediante manifestação expressa de vontade do segurado. Além da suspensão, o conselho diretor determinou que a empresa apresente à Susep, no prazo de dez dias, um plano de busca ativa de beneficiários de apólices ainda não prescritas, mediante o cruzamento de sua base de segurados com registros de óbito e invalidez. A seguradora também deverá apresentar e implementar plano de comunicação a toda a sua base de segurados, informando a existência dos seguros contratados em seus nomes e orientando sobre a possibilidade de cancelamento e restituição em dobro dos valores pagos nos casos em que o segurado não reconheça a contratação, nos termos da legislação aplicável.
Susep suspende autorização da Sudaseg após vendas irregulares de seguros a idosos
A fiscalização da Susep também identificou inconsistências e omissões em informações prestadas pela seguradora do Paraná







