A Infinite, seguradora que teve a liquidação extrajudicial decretada pela Susep divulgada nesta terça-feira (19), foi criada em Goiás em abril de 2023. Foi a primeira seguradora a ser liquidada pela autarquia em dez anos. Em novembro de 2023, foi autorizada pela autarquia a comercializar seguros de danos e de pessoas em quase todo o território nacional, com exceção de São Paulo, Rio de Janeiro e Região Sul. Em março deste ano, a Susep suspendeu parte das operações da Infinite após ações de supervisão que apuraram possíveis irregularidades, como o fato da seguradora ter aceitado riscos fora das regiões permitidas e em montantes acima do que deveria, sem a cobertura de resseguro no montante necessário. A empresa tinha cerca de 1 mil apólices emitidas, conforme informações repassadas pela companhia à Susep e divulgadas durante a reunião do conselho diretor ontem. Do volume total, apenas 275 teriam sido emitidas dentro das regras, havendo a necessidade de regularização de 740 apólices emitidas fora da área autorizada ou com Limite Máximo de Garantia (LMG) acima do permitido. Os dados da Infinite mostram um crescimento acelerado da operação entre 2024 e 2026, concentrado principalmente na linha de riscos financeiros, que inclui seguro garantia. A companhia também vendia seguros de vida em grupo. Os prêmios emitidos passaram de R$ 2,07 milhões em 2024 para R$ 25,74 milhões em 2025 e R$ 11,87 milhões em 2026, acumulando R$ 39,7 milhões no período analisado. Os sinistros totalizaram R$ 3,7 milhões, com índice de sinistralidade consolidado de 42,99%. Em 2024, os riscos financeiros representavam 91,2% da produção, participação que subiu para 96,2% em 2025 e 98,93% em 2026. Os prêmios de riscos financeiros cresceram de R$ 1,58 milhão em 2024 para R$ 23,8 milhões em 2025, uma alta de 1404%. Em 2026, o acumulado chegou a R$ 11,74 milhões. Já o ramo de fiança locatícia teve participação reduzida ao longo do período, passando de 8,76% da carteira em 2024 para 1,07% em 2026, apesar do crescimento dos volumes emitidos. Na decisão de ontem, o conselho diretor da Susep citou a “grave deterioração” da situação econômico-financeira da companhia, com insuficiência patrimonial e falhas na estrutura de gestão de riscos. Segundo a Susep, o processo de fiscalização conduzido nos últimos meses encontrou inconsistências relevantes nas informações contábeis e nos dados enviados à supervisão. Antes da liquidação, a autarquia diz ter adotado medidas como restrições operacionais, exigência de recomposição de capital e suspensão da comercialização de produtos, mas avaliou que as providências tomadas pela seguradora não foram suficientes para reverter o quadro. Com a liquidação, as garantias emitidas pela Infinite deixam de ser consideradas aptas a partir de hoje. A Susep recomenda a substituição urgente das apólices, especialmente no segmento de seguro garantia judicial e contratos administrativos, para evitar impactos sobre licitações, concessões e processos judiciais. A autarquia afirmou ainda que a medida não representa risco sistêmico ao mercado segurador brasileiro, que segue “sólido e capitalizado”, e informou que os créditos referentes a sinistros ocorridos até 18 de maio poderão ser pagos conforme a ordem prevista na legislação e o limite dos ativos disponíveis da massa liquidanda.
Quem é a seguradora liquidada pela Susep?
Primeira seguradora a ser liquidada pela autarquia em dez anos foi criada em Goiás em abril de 2023













