O profesor Flavio Galdino, doutor em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), onde se formou e leciona há mais de 25 anos, ainda era estudante quando se deparou com um texto que usava a palavra “nosocômio” para referir-se a hospital. Desde então, pergunta-se por que a linguagem jurídica é tão hermética. Chegou a uma conclusão que se tornou uma causa: compreender o que determinam as leis, o que rezam os contratos de todos os tipos, o que decidem os juízes em suas sentenças é um direito do cidadão. Sócio-fundador do escritório Galdino, Takemi, Ayoub, Salgueiro, Rezende de Almeida, Costa, Faria, constituído em 2013, Galdino decidiu encarar um desafio. Depois de inúmeras ocasiões em que foi entrevistado, conferencista ou palestrante, abriu espaço para o papel de entrevistador, no qual estreia hoje como titular do videocast “Concedo a Palavra”. Sobre a entrevista de estreia, Galdino ressalta que o ex-presidente Michel Temer não se furtou a comentar nenhum dos temas propostos. Entre eles, os critérios de indicação e o mandato dos ministros do Su- premo Tribunal Federal. Na entrevista a seguir, Galdino detalha o que o le- vou a esse projeto e quais são seus objetivos. Há um descompasso abissal entre a linguagem jurídica e a corrente. Isso é grave. A compreensão do fenômeno jurídico é fundamental para o exercício da cidadania Por que a tradução da linguagem jurídica é tão importante? Acredito que há um descompasso abissal entre a linguagem jurídica e a linguagem corrente. E isso é grave. A compreensão do fenômeno jurídico é fundamental para o exercício da cidadania. Quando a gente fala em discussão jurídica pode ficar abstrato, mas a regulação da vida cotidiana das pessoas depende da compreensão de alguns temas jurídicos. Esse desconhecimento jurídico vai além da linguagem? Sim. Um exemplo que utilizo frequentemente é que todos ouvem falar diariamente em deputados e senadores. E muitas pessoas não sabem a diferença entre a Câmara dos Deputados e o Senado Federal. Elas não sabem exatamente como os mandatos são exercidos, quais são as funções dessas casas legislativas, os modos de eleição, como funciona a dinâmica legislativa. Esse não entendimento compromete o exercício da democracia. Problema semelhante diz respeito aos serviços públicos. Há uma profusão de demandas. Mas quem não compreende que órgãos ou pessoas são responsáveis por determinados serviços terá muita dificuldade em controlar e exigir qualidade dos gestores da coisa pública. Isso é muito ruim para a democracia. A ideia de produzir informação jurídica de modo acessível é isso. É discutir esses temas, tentando fazer isso que a primeira pergunta chama de tradução. A que públicos o senhor quer se dirigir em “Concedo a Palavra”? Eu considero que a tradução da linguagem jurídica é uma demanda geral. Acredito também que sou capaz de gerar uma tradução eficiente, tornando esses meandros jurídicos um pouco mais acessíveis. Hoje o Congresso não só aprova como domina boa parte do orçamento, as tais emendas positivas, de relator. Mas domina sem ter responsabilidade governativa — Michel Temer, ex-presidente da República De onde surgiu a ideia do videocast? Ela tem correlação com a minha atividade como professor. As experiências e as pesquisas têm demonstrado que as novas gerações têm preferência pelo acesso à informação pelo meio audiovisual. Ao mesmo tempo, é uma tentativa de levar informação jurídica de qualidade para além da sala de aula. Acho que posso contribuir mais com o debate jurídico produzindo informação que atinja mais pessoas, e a tecnologia permite isso. Assista ao videocast ‘Concedo a Palavra’ O videocast é patrocinado pelo Instituto Justiça & Cidadania, uma realização do professor Flavio Galdino e da Editora Globo, com distribuição no Valor Econômico e na CBN
Novo videocast propõe debater temas jurídicos de forma clara e acessível
Na estreia de ‘Concedo a Palavra’, o professor Flavio Galdino entrevista o ex-presidente Michel Temer















