No início do ano, o ex-juiz trocou o União Brasil pelo PL para concorrer ao governo do Paraná e dar palanque para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro Sergio Moro com olhas cabisbaixo enquanto Flavio Bolsonaro admite encontro com Daniel Vorcaro; cena viralizou nas redes — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 20/05/2026 - 22:55 Sergio Moro defende Flávio Bolsonaro e propõe agência anticorrupção O senador Sergio Moro (PL), pré-candidato ao governo do Paraná, defende Flávio Bolsonaro, o que gera críticas da esquerda por incoerência com sua postura na Lava-Jato. Moro, que trocou o União Brasil pelo PL, é acusado de leniência frente a suspeitas de corrupção envolvendo aliados bolsonaristas. Em resposta, ele critica o PT e propõe uma agência anticorrupção estadual, mantendo-se como figura central na política anticorrupção. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Pré-candidato ao governo do Paraná, o senador Sergio Moro (PL) tem defendido o presidenciável de seu partido, Flávio Bolsonaro, diante dos desdobramentos do caso Master. A postura é explorada por adversários de esquerda, que ressaltam diferenças em relação a sua atuação na Lava-Jato e do período em que se manteve rompido com o bolsonarismo. A conduta do ex-juiz chamou a atenção nas redes sociais nesta semana, a partir da viralização de um vídeo que mostrou sua reação no momento em que Flávio admitiu ter visitado o banqueiro Daniel Vorcaro em novembro do ano passado, em sua casa após o dono do Master ter sido preso pela primeira vez. A expressão de Moro na ocasião foi ironizada por perfis de esquerda no X, que compartilharam a gravação e disseram que o ex-juiz da Lava-Jato estaria sendo leniente “suspeitas de corrupção” em relação ao aliado. Desde a semana passada, Moro tem sido alvo de integrantes da esquerda, como a ex-ministra e pré-candidata ao Senado pelo Paraná Gleisi Hoffmann (PT), segundo a qual existiria um “silêncio ensurdecedor” dele após o vazamento de áudio enviado por Flávio a Vorcaro na semana passada. Em resposta, Moro disse que “sinônimo de corrupção é o PT” e afirmou ter assinado o requerimento de abertura da CPI do Master. O senador também foi citado em discurso do presidente Lula nesta semana durante um compromisso em uma refinaria da Petrobras em Campinas (SP), quando o petista o acusou de “tentar fazer falcatruas com a Lava-Jato”. Moro disse, em nota, que “é contra a corrupção e, por este mesmo motivo, contra o governo Lula que, ao desmantelar a Lava-Jato, abriu as portas para a volta da roubalheira, inclusive com suspeita de envolvimento do Lulinha”. No texto, o senador disse ter como proposta de campanha a criação de uma “agência estadual anticorrupção” com mandato fixo para diretor. Construção de imagem Hoje bandeira de campanha, o tema pautou a construção da imagem de Moro durante a Lava-Jato, que atingiu governos petistas. Após a eleição de Jair Bolsonaro (PL), o ex-juiz virou um “superministro” da Justiça de sua gestão. A relação entre os dois, no entanto, se deteriorou no início de 2020, quando Moro pediu demissão do cargo e acusou o ex-presidente de tentar interferir politicamente na Polícia Federal para beneficiar familiares. “O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que ele queria ter uma pessoa do contato pessoal dele, que ele pudesse ligar, que ele pudesse colher informações, que ele pudesse colher relatórios de inteligência, seja diretor, seja superintendente”, escreveu no X. No mesmo período, Moro disse que “assim como Lula, Bolsonaro mente” e que “nada do que ele fala deve ser levado a sério”. “Sério que, entre um ladrão de um lado e um ladrão do outro, a culpa é do juiz?”, também questionou na época. A trégua com o bolsonarismo veio em 2022, depois de ele desistir de se candidatar ao Palácio do Planalto e declarar apoio a Bolsonaro. Desde então, diante das crises que atingiram o grupo político do ex-presidente, o senador se dividiu entre momentos de silêncio e de defesa dos aliados. Em 2023, foi criticado por Carlos Bolsonaro, por não se manifestar depois do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decretar a inelegibilidade de Bolsonaro. Já no ano seguinte, saiu em defesa do ex-presidente depois de a PF concluir o inquérito das joias sauditas e pedir seu indiciamento. Em um movimento que selou a reaproximação, o ex-juiz trocou no início deste ano o União Brasil pelo PL para concorrer ao governo do Paraná e dar palanque para Flávio.