Secretaria diz que ExpoDireito possui relevância para o turismo e que propostas passam por análise técnica; processo foi sem licitação CICB vai receber a ExpoDireito 2026 — Foto: Reprodução A Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF) identificou fragilidades e riscos jurídicos em uma espécie de patrocínio do governo distrital ao ExpoDireito 2026, evento privado cuja coordenação acadêmica está a cargo de um sócio de Ibaneis Rocha. Em manifestação, o órgão apontou falha no processo conduzido pela Secretaria de Turismo (Setur) que autorizou, sem licitação, o repasse de cerca de R$ 5,5 milhões para a locação de espaços no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB). O evento cobra ingressos que variam de R$ 489 a R$ 4 mil. Segundo a Controladoria, a pasta praticamente reproduziu uma demanda privada sem demonstrar construção própria do interesse público nem justificativa técnica independente. A proposta nasceu a partir de um pedido da empresa organizadora, a Notorium, que já indicou o CICB como local e pediu apoio financeiro ao GDF. Antes, a Procuradoria do DF também já havia advertido que não foram encontrados os requisitos legais para a contratação sem licitação. O parecer destacou que não foi comprovada a tese de que não existiria concorrência viável, tampouco que os preços de mercado estavam compatíveis. O órgão opinou pela necessidade de complementação das justificativas. De acordo com os documentos, haveria riscos de direcionamento, sobrepreço e insegurança jurídica. A Setur afirma que o evento “possui relevância para o turismo do Distrito Federal, com potencial de movimentar a cadeia produtiva do setor e contribuir para a arrecadação tributária durante sua realização”. E diz que “todas as propostas passam por análise técnica e critérios legais específicos, não sendo considerados vínculos pessoais para aprovação dos projetos”. Embora não citado na nota técnica, outro ponto que é questionado nos bastidores é um possível conflito de interesses pela participação do advogado Valdetário Monteiro, sócio de Ibaneis Rocha e próximo a Allan Christyan, CEO do grupo Notorium. Os dois aparecem juntos em publicações nas redes associadas ao evento. Em posts do ano passado, Christyan se referia a Valdetário como “nosso presidente”. Em publicação mais recente, o CEO escreveu: “Começando a semana azeitando os preparativos da ExpoDireito Brasil com a diretoria.” Na foto, além do sócio de Ibaneis, também aparece Celivaldo Elói, ex-conselheiro do BRB que renunciou ao cargo após ter sua indicação atribuída a um fundo ligado à Reag, investigada por operações suspeitas com o Banco Master. Elói se apresenta como vice-presidente da ExpoDireito. Em contato por telefone, Valdetário disse que presidiu apenas a edição do Ceará no ano passado e afirmou que atualmente é apenas o coordenador acadêmico, sem qualquer ingerência sobre a parte administrativa. O advogado ressaltou que tomou todos os cuidados e acrescentou que seu ganho é somente acadêmico. Ele ainda pontuou que Ibaneis não é mais governador e que não faz parte da empresa organizadora, além de frisar que não faz parte da política e não é candidato a nada. Disse: —Todos os convites que assinei convidando (alguém) foram como coordenador acadêmico. [....] Eu mesmo tive o cuidado de ser coordenador acadêmico, mas não me meter na direção do evento. Segundo ele, até o momento havia cerca de 8 mil inscritos e 600 palestrantes confirmados. Entre eles, a ex-primeira-dama do DF Mayara Rocha. Uma das publicações de divulgação do evento no Instagram, feita essa semana, traz a imagem de Celina Leão. A governadora, no entanto, não consta na lista dos palestrantes.
Controladoria vê falhas em repasse de R$ 5,5 milhões do GDF a evento coordenado por sócio de Ibaneis
Secretaria diz que ExpoDireito possui relevância para o turismo e que propostas passam por análise técnica; processo foi sem licitação














