O compromisso de tornar as cidades mais compactas e policêntricas (com vários centros), previsto no Acelerador de Planejamento Urbano - programa de apoio à revisão de planos diretores do Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) e da rede global de prefeitos C40 Cities -, já foi firmado por 34 metrópoles, incluindo Rio de Janeiro, Curitiba e Fortaleza. A estratégia dialoga com o conceito de “cidade de 15 minutos”, formulado pelo urbanista franco-colombiano Carlos Moreno. A ideia central é simples, diz ele: “Que cada pessoa possa acessar, em um tempo curto a partir do seu local de moradia, as funções essenciais do cotidiano - habitação, trabalho, educação, saúde, abastecimento e lazer”. Essa proximidade é não só geográfica, como também social, ecológica e relacional. “A proximidade deve se adaptar a cada contexto territorial, social e econômico”, diz Moreno, citando experiências como a do programa Utopias, na Cidade do México, que integra centros sociais a lavanderias e cozinhas em áreas vulneráveis para reduzir a carga de trabalho doméstico das mulheres. Para enfrentar obstáculos como desigualdades territoriais, falta de financiamento, fragmentação institucional e resistência política e econômica, Moreno defende planejamento de longo prazo, cooperação entre diferentes níveis de governo, forte investimento em infraestrutura social e fortalecimento da participação cidadã. “Um bairro não pode ser considerado bem-sucedido se melhora fisicamente, mas expulsa seus moradores históricos”, diz. “A qualidade de vida social também deve ser medida pela capacidade de permanência em habitação acessível e pela participação na vida local”. Ao evitar espraiamento, misturar usos e focar em transporte coletivo, cidades podem reduzir em mais de 25% as emissões de gases de efeito estufa, segundo a diretora de planejamento urbano da C40 Cities, Hélène Chartier. Projetos, afirma ela, devem começar pelos bairros que têm menos comodidades e calçadas piores. Também é fundamental investir na conexão ao centro e aos demais bairros. Para o diretor de projetos do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), Iuri Moura, a transição para cidades de proximidade deve priorizar pedestres e ciclistas e a distribuição equitativa de serviços. Ele enfatiza o impacto social desse redesenho, já que bairros compactos beneficiam diretamente as mulheres, que têm padrões de deslocamento mais complexos por causa das tarefas de cuidado. Moura reconhece que o Brasil ainda está distante de alcançar o padrão de 15 minutos, pois o modelo demanda um planejamento integrado que una transporte a políticas agressivas de habitação popular em áreas centrais. O gerente de desenvolvimento urbano do World Resources Institute (WRI Brasil), Henrique Evers, considera o modelo uma ferramenta didática poderosa, mas insuficiente se for isolada. Sem rede de transporte de alta capacidade entre os bairros, a metrópole corre o risco de ser um conjunto de ilhas desconectadas, avalia. Evers reforça que o plano diretor deve atuar como um “indutor de equidade”, reservando áreas para habitação de interesse social e priorizando investimentos nas periferias. O presidente da Confederação Nacional dos Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, avalia que o urbanismo de proximidade é indispensável para ampliar a eficiência dos investimentos públicos e reduzir custos gerados pelo espraiamento das cidades. Para ele, a transição no Brasil exige uma coordenação federativa capaz de integrar políticas de habitação, mobilidade e financiamento que hoje operam de forma isolada.
Estratégia pró-bairro ganha adesões
Ao menos 34 prefeituras já firmaram compromisso de tornar cidades mais compactas e policêntricas
















