Municípios brasileiros passaram a oferecer na rede pública medicamentos para obesidade, como semaglutida e tirzepatida, mesmo sem incorporação pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A iniciativa abre um debate sobre prioridades, custo e desigualdade no acesso a novas tecnologias.

A oferta de semaglutida no Rio de Janeiro impulsionou o movimento. Além da capital fluminense, cidades como Urupês (SP) e Sorocaba (SP) já estruturaram programas que incluem esses medicamentos, enquanto outras, como Palmas, Cuiabá, Feira de Santana (BA), bem como o estado de Santa Catarina, discutem a adoção.

O movimento ocorre em meio à expansão global de medicamentos para obesidade, estimada em US$ 150 bilhões (cerca de R$ 760 bilhões) até 2030, segundo a Morgan Stanley.

Na outra ponta, capitais como São Paulo, Belo Horizonte, Goiânia, Recife, Porto Velho, Vitória, Rio Branco e Porto Alegre afirmam que seguem apenas as diretrizes do governo federal.

Para entidades médicas, o movimento isolado de alguns municípios reflete uma lacuna nacional no combate à obesidade, que atinge 26% dos adultos brasileiros, segundo a Vigitel (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico).