Psiquiatra da acusação afirmou ter percebido em Jairinho 'prazer em infligir dor' em crianças; defesa conseguiu decisões favoráveis no TJ, e médica descreveu reação de Monique após a morte de Henry Visão da platéia dentro do II Tribunal do Júri, no Tribunal de Justiça do Rio: Jairinho e Monique com seus advogados, próximos aos assistentes de acusação — Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 28/05/2026 - 02:00 Confrontos marcam julgamento de Jairinho e Monique por morte de Henry Borel O terceiro dia de julgamento de Jairinho e Monique Medeiros, acusados pelo homicídio de Henry Borel, foi marcado por confrontos entre defesa e acusação. O psiquiatra Rafael Bernardon afirmou que Jairinho mostrava "prazer em infligir dor" em crianças, o que gerou protestos da defesa. A médica Maria Cristina Souza Azevedo relatou as tentativas de reanimação de Henry e a reação de choque de Monique ao saber da morte do filho. O Tribunal de Justiça autorizou testemunha da defesa e alterou a ordem dos interrogatórios. O julgamento será retomado nesta quinta. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O terceiro dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros foi marcado por embates entre acusação e defesa, decisões favoráveis do Tribunal de Justiça aos advogados do ex-vereador e depoimentos que detalharam os últimos momentos de vida de Henry Borel. Ao longo da tarde e da noite desta quarta-feira, os jurados ouviram o psiquiatra Rafael Bernardon e a médica Maria Cristina Souza Azevedo, responsável pelo atendimento do menino no Hospital Barra D’Or na noite da morte. Durante a sessão, a defesa questionou a atuação de testemunhas da acusação e a condução do julgamento, enquanto a médica relatou a reação de Monique após a confirmação do óbito e as tentativas de reanimação de Henry. O julgamento foi encerrado pouco depois das 22h e será retomado nesta quinta-feira, às 9h. Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio. Confira como foi o terceiro dia de julgamento Psiquiatra diz ter percebido ‘prazer em infligir dor’ em crianças Primeira testemunha ouvida na quarta-feira, o psiquiatra Rafael Bernardon afirmou ao Conselho de Sentença que identificou em Jairinho um comportamento que, em sua avaliação, indicaria satisfação ao causar sofrimento em crianças. O especialista disse que a percepção foi construída a partir da análise dos autos do processo. — Embora seja uma análise subjetiva minha, eu tive essa percepção e interpretação — afirmou. Julgamento de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel começou já dura três dias — Foto: Gabriel de Paiva 25/ 05/2026 A declaração provocou reação imediata da defesa de Jairinho, que interrompeu o depoimento para sustentar que a conclusão representava apenas uma interpretação pessoal do psiquiatra. Bernardon reforçou que se tratava de uma avaliação baseada em sua leitura técnica dos elementos reunidos na investigação. O depoimento começou por volta de 12h e terminou perto das 19h, após horas de questionamentos feitos pela acusação e pela defesa. Defesa critica atuação do psiquiatra e juíza repreende advogado Após o depoimento, os advogados de Jairinho passaram a questionar a legitimidade da participação de Bernardon no julgamento. O criminalista Rodrigo Faucz afirmou que o especialista não entrevistou o ex-vereador e que sua manifestação contrariaria diretrizes éticas da medicina. — É um absurdo a oitiva de um médico psiquiatra que, por conta das diretrizes éticas médicas, não poderia sequer se manifestar sobre pessoas que não foram entrevistadas — disse Faucz. O advogado também sustentou que Bernardon não presenciou os fatos investigados e foi contratado pela acusação para expor “impressões pessoais”. Em meio aos questionamentos da defesa, a juíza Elizabeth Machado Louro interrompeu o advogado Zanone Júnior e afirmou que o julgamento não avançaria caso as discussões permanecessem no mesmo tom. — Se ficar discutindo o sexo dos anjos, esse julgamento não termina — afirmou a magistrada. A juíza também disse que o tribunal estava sendo submetido a “uma verdadeira tormenta” diante da extensão dos debates envolvendo o depoimento do psiquiatra. TJ autoriza testemunha da defesa e muda ordem de interrogatórios Ainda durante o terceiro dia de júri, a defesa de Jairinho obteve duas decisões favoráveis no Tribunal de Justiça do Rio. A primeira garantiu que Miriam Santos Rabelo Costa possa depor em plenário. A testemunha havia sido barrada pela juíza do caso após pedidos do Ministério Público e dos assistentes de acusação. Segundo Rodrigo Faucz, a mulher deverá relatar um suposto acidente envolvendo Henry e o pai do menino, Leniel Borel, versão que, segundo a defesa, poderia ter relação com as lesões apontadas no processo. O TJ também concedeu liminar para que o interrogatório de Jairinho aconteça apenas depois do depoimento de Monique Medeiros. A defesa sustentou que a medida é necessária para garantir a “plenitude de defesa” e permitir que o ex-vereador conheça previamente o teor das declarações da ex-companheira antes de falar aos jurados. — Não é possível que aquele que está sendo acusado tenha de se manifestar antes da acusação. Isso é básico em qualquer Estado de Direito — afirmou Faucz. O pedido de transferência do julgamento para outra comarca, no entanto, foi negado pelo tribunal. A defesa informou que pretende recorrer ao Superior Tribunal de Justiça. Médica relata socorro a Henry e diz que Monique parecia ‘não acreditar’ na morte Última testemunha ouvida no dia, a médica Maria Cristina Souza Azevedo afirmou que Henry chegou ao Hospital Barra D’Or em parada cardiorrespiratória e apresentando marcas roxas no tórax, abdômen, punhos e coxas. Segundo ela, o protocolo de reanimação durou cerca de duas horas. — O pai pediu para que continuássemos tentando — relatou a médica, ao mencionar um pedido feito por Leniel Borel durante o atendimento. Questionada sobre a reação de Monique após a confirmação da morte do filho, Maria Cristina afirmou que a professora aparentava estar em choque. — Ela estava em estado de choque, parecia não acreditar — disse. Sobre Jairinho, a médica afirmou que ele “passou o tempo todo apoiando Monique” durante o atendimento no hospital. O depoimento da médica começou por volta das 19h e terminou pouco depois das 22h. Monique chorou ao ver vídeo de Henry exibido no plenário Durante o depoimento da médica, o assistente de acusação Cristiano Medina exibiu um vídeo de Henry dançando na casa do pai, Leniel Borel, na manhã da véspera da morte do menino. As imagens foram mostradas enquanto a testemunha detalhava o atendimento prestado no hospital. Ao assistir ao vídeo, Monique chorou no plenário e abaixou a cabeça diante dos jurados, familiares e advogados presentes na sessão. O julgamento foi encerrado pouco depois das 22h pela juíza Elizabeth Machado Louro. O júri será retomado nesta quinta-feira, às 9h, no II Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.