Depoimentos dos réus marcaram a sessão; Monique atribuiu pela primeira vez a morte do filho ao ex-companheiro, enquanto Jairinho negou agressões, contestou a investigação e apresentou sua versão para a madrugada em que Henry morreu Julgamento do Caso Henry no 2º Tribunal do Júri da Capital, já é um dos mais longos do Rio — Foto: Gabriel de Paiva 23/05/2026 RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 03/06/2026 - 01:03 No nono dia de julgamento, Monique culpa Jairinho pela morte de Henry No nono dia de julgamento de Jairinho e Monique, os réus foram interrogados; Monique culpou pela primeira vez o ex-companheiro pela morte de Henry, afirmando que foi enganada. Jairinho negou agressões e apresentou sua versão dos eventos, contestando a investigação. O julgamento prossegue com debates entre defesa e acusação, seguido pelo veredito. Ambos negam as acusações de homicídio e agressão. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO O nono dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e Monique Medeiros foi marcado pelos interrogatórios dos dois réus e pela primeira vez em que a mãe de Henry Borel atribuiu ao ex-companheiro a responsabilidade pela morte do filho. Em cerca de seis horas de depoimento, Monique negou participação no crime e afirmou acreditar que foi enganada por Jairinho. Já o ex-vereador, ouvido do fim da tarde de terça até a madrugada de quarta, voltou a negar agressões, contestou pontos centrais da acusação e apresentou sua versão para os acontecimentos da noite em que o menino morreu. Jairinho e Monique são julgados pela morte de Henry Borel, ocorrida em março de 2021. Segundo a acusação, o menino de 4 anos foi submetido a sucessivas agressões no apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Barra da Tijuca. O ex-vereador responde por homicídio triplamente qualificado, tortura e outros crimes. Monique é acusada de participação nos fatos e de não agir para impedir as agressões. Ambos negam as acusações. O julgamento será retomado na manhã desta quarta-feira, às 10h, quando serão realizados os debates entre defesa e acusação, seguidos do veredito dos jurados. Confira como foi o 9º dia de julgamento Monique culpa Jairinho pela morte de Henry pela primeira vez Em um dos momentos mais aguardados do júri, Monique afirmou acreditar que Jairinho foi o responsável pela morte de Henry. Questionada sobre quem teria provocado as lesões apontadas pela perícia, ela respondeu que hoje atribui o crime ao ex-companheiro. A ré afirmou que demorou a chegar a essa conclusão porque confiava na versão apresentada por Jairinho durante a investigação. Segundo ela, apenas após analisar provas e depoimentos reunidos no processo passou a acreditar que foi enganada. ‘Uma mãe não mata seu filho’, diz Monique ao defender inocência Ao longo do interrogatório, Monique negou qualquer participação na morte do filho e rejeitou a acusação de que teria sido conivente com agressões. Em diversos momentos, ela chorou ao falar de Henry e afirmou que jamais faria mal à criança. A ré sustentou que desconhecia as agressões descritas pela acusação. Monique rebate relato da babá sobre agressões Monique também contestou o depoimento da ex-babá Thayná Ferreira, uma das principais testemunhas do processo. De acordo com a ré, se tivesse sido informada sobre qualquer agressão praticada por Jairinho, nunca teria deixado o filho sozinho com ele. Ela negou ter ignorado sinais de violência e afirmou que jamais recebeu relatos compatíveis com os apresentados posteriormente à polícia. Jairinho inicia depoimento com apelo aos jurados “Jesus vai colocar a gente no caminho da verdade.” Foi com essa frase que Jairinho iniciou seu interrogatório, no fim da tarde. O ex-vereador, assim como Monique, decidiu responder apenas às perguntas de sua defesa. Nos primeiros minutos da oitiva, emocionou-se ao falar do filho, que integra sua equipe de advogados. Ele contou que o jovem reorganizou sua formação acadêmica para participar do julgamento. Réu nega histórico de agressões contra ex-companheiras e crianças Ao responder aos advogados, Jairinho rejeitou acusações de violência doméstica feitas por ex-companheiras ao longo dos anos. O ex-vereador admitiu repetidas traições em seus relacionamentos, mas afirmou nunca ter agredido nenhuma mulher. Questionado sobre um boletim de ocorrência registrado por uma ex-esposa, negou as agressões relatadas e atribuiu o episódio a uma discussão motivada pelo fim do relacionamento. Jairinho também negou ter agredido os enteados Enzo e Kaylane, filhos de uma ex-companheira. Segundo ele, manteve convivência e contato com as crianças mesmo após o fim do relacionamento e afirmou estranhar que os supostos traumas tenham surgido apenas depois da ampla repercussão do caso Henry. Para o réu, os relatos apresentados durante a investigação não correspondem ao que ocorreu. ‘A coisa que eu mais queria no mundo é que o Henry estivesse aqui agora’ Em um dos momentos mais emocionados do depoimento, Jairinho chorou ao falar sobre Henry e negou ter agredido o menino. O ex-vereador afirmou que sua vida e sua família foram destruídas por uma história que, segundo ele, foi criada de forma equivocada. Diante dos jurados, declarou que seu maior desejo era que a criança estivesse viva. Jairinho admite pela primeira vez brincadeira de ‘dar banda’ Ao comentar um episódio relatado pela ex-babá Tainá Ferreira, Jairinho admitiu pela primeira vez que costumava brincar de “dar banda” com Henry. Segundo ele, a expressão não se referia a uma rasteira, mas a uma brincadeira feita na presença de familiares. O réu sustentou que o relato atribuído ao menino foi interpretado de forma equivocada durante a investigação. Réu reconstrói madrugada da morte de Henry Em outra parte do interrogatório, Jairinho descreveu pela primeira vez sua versão detalhada das horas que antecederam a morte de Henry. Segundo ele, após voltar da casa do pai, o menino tomou banho, recusou-se a jantar e foi dormir. O ex-vereador afirmou que Henry acordou três vezes durante a madrugada chamando pela mãe e que Monique o levou de volta ao quarto em todas as ocasiões. Jairinho questiona investigação e atendimento médico Ao longo do depoimento, Jairinho contestou pontos centrais da acusação e afirmou que sinais de espancamento teriam sido percebidos por médicos e familiares caso realmente existissem antes da chegada ao hospital. O réu também negou ter dito à polícia que Henry caiu da cama e sustentou que fatos ocorridos durante o atendimento médico não foram devidamente considerados ao longo do processo. ‘Leniel sabe que não fui eu’, afirma Jairinho Já na reta final da oitiva, Jairinho voltou a negar participação na morte do menino e afirmou acreditar que pessoas próximas à família sabem que ele não cometeu o crime. Ao mencionar Leniel Borel, pai de Henry e assistente de acusação no processo, o ex-vereador se emocionou novamente e declarou aos jurados que ele saberia que não foi o responsável pela morte da criança.