Foram quase quatro horas de marcha, entre momentos marcados pela prosa mansa e outros prolongados por um silêncio imenso. A paisagem se revelava aos poucos: ao fundo, a serra que sugeria não ter fim; ao lado, o rio que margeava os passos. Estávamos em um dos trechos mais intocados da Estrada Real, que liga Ouro Preto a Diamantina, cortando a Cordilheira do Espinhaço. E aquele era apenas o sopé da viagem.

O real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia. O aviso de João Guimarães Rosa, mineiro de Cordisburgo, não funciona ali como ornamento literário. É advertência ao viajante apressado. Quem chega a Minas Gerais querendo apenas cumprir etapas no mapa corre o risco de atravessar o estado sem perceber aquilo que ele tem de mais revelador.

Minas surge na curva empoeirada da estrada, na prosa que se alonga sem pedir licença enquanto se toma uma pinguinha no armazém, de cara para o cavalo arreado que espera pelo dono. A calçada é de todos.

Há de se fazer o sinal da cruz, independentemente da fé que se carrega, ao passar pelas capelas e igrejas que pontuam praticamente todos os caminhos de Minas.

Essa combinação de história e afeto está consolidada na memória de quem visita o estado. Neste especial Viaja São Paulo, a pesquisa Datafolha feita com viajantes paulistanos coroou Minas Gerais e uma de suas joias coloniais mais célebres, Ouro Preto, como os melhores destinos históricos do país —20% para cada um.