Era uma das novidades mais aguardadas da Ferrari: a estreia do emblema de Maranello na mobilidade 100% eléctrica. Mas a revelação do Luce, cujo design foi confiado à LoveFrom, colectivo criativo liderado por sir Jony Ive, ex-chefe de Design da Apple, responsável pelos desenhos do iPhone ou do iPod, e Marc Newson, não colheu os frutos desejados. A simplicidade das linhas parece ter chocado “ferraristas” e entusiastas da marca, e os investidores reagiram de imediato — e não da melhor maneira.O ex-CEO da companhia Luca Cordero di Montezemolo, que liderou a Ferrari de 1991 a 2014, foi um dos descontentes, vaticinando até que este é “um carro que, pelo menos, os chineses não vão copiar”. Num desabafo aos jornalistas, Montezemolo começou por dizer que, se dissesse o que pensa, “prejudicaria a Ferrari”, considerando que “há o risco de destruir um mito”. E deixou um pedido: “Pelo menos retirem o Cavallino Rampante deste carro.”Mas o icónico logótipo não foi esquecido no novo modelo, cuja presença visual rompe com o historial recente do construtor italiano, exibindo linhas fluidas e uma cúpula de vidro contínua, que remete para o minimalismo de alguns objectos tecnológicos de referência, denunciando o toque de Ive. Por outro lado, o Luce é o primeiro Ferrari de quatro portas e cinco lugares, opção possível pela adopção de uma arquitectura exclusivamente eléctrica, que permitiu aos engenheiros e designers explorar o espaço interior de uma forma impossível de alcançar com os motores térmicos tradicionais.
A Ferrari estreou-se no mundo eléctrico, mas os “ferraristas” não gostaram
Acções caíram a pique após a revelação do Luce, eléctrico saído da pena do designer do iPhone. Ex-presidente da Ferrari pede que Cavallino Rampante seja retirado do modelo.











