PUBLICIDADE Crítica às ações israelenses ganha adesão de setores da direita americana, afirma Guga Chacra em newsletter especial Manifestantes agitam bandeiras palestinas em ato no Capitólio dos EUA, em Washington, em solidariedade ao 78º aniversário da Nakba — Foto: Amid Farahi/AFP RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 27/05/2026 - 06:46 Declínio do Apoio a Israel nos EUA: Democratas Preferem Palestinos O apoio a Israel nos EUA está em declínio, especialmente entre democratas, onde a simpatia pró-Palestina supera a pró-Israel. Entre republicanos, apesar de ainda majoritário, o apoio também recua. Ações israelenses em Gaza e a postura de Netanyahu contribuem para essa piora de imagem, com críticas vindas de diversos setores, incluindo influenciadores conservadores. A percepção negativa de Israel se assemelha a temas antes tabus, como o casamento homoafetivo, agora amplamente aceitos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Desde a eclosão da guerra no Irã, Guga Chacra escreve newsletter diária com informações e análises exclusivas. Clique aqui para se inscrever. O apoio a Israel nos EUA vem diminuindo progressivamente, e a imagem do país, piorando. De acordo com pesquisa do Instituto Gallup, mais norte-americanos se identificam como pró-Palestina (41%) do que como pró-Israel (36%). Entre os democratas, a margem é ainda maior: cinco vezes mais democratas preferem os palestinos aos israelenses. Entre os republicanos, a vantagem de Israel ainda é ampla, mas diminuiu, e setores da direita deram uma guinada, passando a adotar uma postura mais crítica sobre ações israelenses. Esse processo ocorre há décadas na Europa e mais recentemente cruzou o Atlântico. Críticas por todos os lados – Duas décadas atrás, seria quase impensável um senador democrata escrever um artigo classificando a ocupação da Cisjordânia como apartheid, como fez Chris Van Hollen, senador por Maryland. O “New York Times” publicou uma reportagem de Nicholas Kristof, um de seus mais importantes colunistas, sobre o estupro de palestinos e palestinas cometido por membros das forças de segurança israelenses. Comediantes como Jon Stewart, John Oliver e Steven Colbert criticam em seus programas o governo de Benjamin Netanyahu. Para completar, alguns dos mais populares influencers conservadores, como Tucker Carlson, ex-âncora da “Fox News”, publicam compulsivamente vídeos anti-Israel nas redes sociais. Não é antissemitismo – Defensores de Israel costumam classificar muitas dessas atitudes como antissemitismo. Esse argumento pode ser válido em alguns casos, mas jamais em todos, como nos citados acima — Van Hollen e Kristof não podem ser acusados de antissemitas. Na verdade, outros fatores contribuem mais para a deterioração da imagem israelense nos EUA, incluindo entre setores da comunidade judaica, especialmente os judeus mais jovens. De Rabin a Netanyahu – Em primeiro lugar, a Israel de Benjamin Netanyahu não é a mesma de Yitzhak Rabin em 1995. O então primeiro-ministro, defensor da paz com os palestinos, foi assassinado pelo extremista israelense Yigal Amir em um atentado terrorista. Hoje, radicais aliados do assassino, como Itamar Ben Gvir, integram a coalizão de governo em Jerusalém. Nos anos 1990, havia um compromisso israelense em apoiar a criação de um Estado palestino. Atualmente, o primeiro-ministro e os integrantes da sua administração são abertamente contrários a uma Palestina independente, com alguns defendendo a limpeza étnica dos palestinos e a anexação da Cisjordânia e mesmo de Gaza. Guerra em Gaza – Em segundo lugar, a guerra em Gaza e o ataque contra o Irã impactaram a imagem israelense nos EUA e em outras partes do mundo. Começo por Gaza. No início, após o atentado terrorista do Hamas, houve uma grande solidariedade com os israelenses. Foram 1.200 mortos, além de 240 pessoas mantidas reféns. A resposta israelense, ao longo dos dois anos seguintes, no entanto, passou a ser vista como desproporcional. Imagens de palestinos, incluindo crianças, mortos e passando fome inundaram as redes sociais. Entidades humanitárias, como a Anistia Internacional e os Médicos Sem Fronteiras, e uma comissão de inquérito independente da ONU classificaram as ações de Israel como genocídio. Há um pedido de prisão de Netanyahu por crimes de guerra emitido pelo Tribunal Penal Internacional. Já a guerra no Irã teve um impacto maior, porque setores da direita norte-americana passaram a concordar com a esquerda na avaliação de que governos, tanto democratas quanto republicanos, colocam os interesses de Israel, e não dos EUA, em primeiro lugar. Seria o “Israel First”. Mamdani – Outro motivo seria um sentimento anti-establishment que domina uma série de temas políticos. Israel, ou a defesa de Israel por parte de políticos, empresários e mesmo jornalistas, passou a ser visto de maneira negativa por esquerdistas e direitistas norte-americanos, especialmente jovens. Essa mudança no sentimento sobre o conflito entre Israel e Palestina tem sido rápida e é parecida com o que ocorreu com a legalização da maconha e o casamento de pessoas do mesmo sexo — começa na esquerda e depois se amplia para a direita. Eram temas tabus que passaram a ser enxergados de outra forma pela população. Hoje gays podem se casar em qualquer lugar dos EUA, e norte-americanos podem fumar maconha em quase todos os estados. Ser pró-Palestina podia ser um empecilho para muitas carreiras políticas, mas Nova York elegeu Zohran Mamdani, abertamente crítico de Israel. Como reverter – Não sei se Israel conseguirá reverter esse cenário. Seria possível sem Netanyahu no poder. O premier tem uma imagem tóxica internacionalmente e poucos o suportam. Qualquer outro primeiro-ministro da oposição, ainda que seja ideologicamente próximo a Netanyahu, melhoraria um pouco a percepção de Israel nos EUA. Acima de tudo, melhoraria bastante a imagem israelense com a retomada de negociações de paz com os palestinos, o que parece improvável atualmente. A tendência é de empoderamento dos colonos na Cisjordânia, atacando palestinos, e da manutenção da ocupação de Gaza e do sul do Líbano.
A piora na imagem de Israel nos EUA
Crítica às ações israelenses ganha adesão de setores da direita americana, afirma Guga Chacra em newsletter especial










