Israel enfrentou uma onda de críticas internacionais após o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, divulgar um vídeo mostrando ativistas da flotilha para Gaza ajoelhados e com as mãos amarradas depois de terem suas embarcações de ajuda humanitária interceptadas em águas internacionais. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou estar “chocado” com a forma como Ben-Gvir tratou os integrantes da flotilha humanitária que tentavam chegar a Gaza. “Esse comportamento é completamente inaceitável. Pedimos a libertação imediata deles”, afirmou Costa. O Reino Unido, por sua vez, informou nesta quinta-feira (21) que convocou o encarregado de negócios de Israel após o vídeo ter sido publicado. “Esse comportamento viola os padrões mais básicos de respeito e dignidade às pessoas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores britânico em comunicado. “Também estamos profundamente preocupados com as condições de detenção retratadas e exigimos uma explicação das autoridades israelenses. Deixamos claro que elas têm a obrigação de proteger os direitos de todos os envolvidos”, prosseguiu. Já a Polônia planeja tomar uma medida mais dura e proibir a entrada de Ben-Gvir no país, segundo informações divulgadas por um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores. “A Polônia condena firmemente a conduta de representantes das autoridades israelenses contra ativistas da Flotilha Global Sumud detidos pelo Exército israelense, incluindo cidadãos poloneses”, escreveu o ministro das Relações Exteriores, Radoslaw Sikorski, na rede X. A Itália, França, Canadá e Holanda disseram que vão convocar os respectivos embaixadores de Israel em seus países para dar explicações. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, e o ministro das Relações Exteriores do país, Antonio Tajani, também exigiram um pedido de desculpas pelo tratamento dispensado aos ativistas e pelo que classificaram como “total desrespeito” de Israel às solicitações italianas. Já o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, julgou as ações de Ben-Gvir como “inaceitáveis”. Barrot afirmou que cidadãos franceses devem ser tratados com respeito e libertados o mais rapidamente possível, embora tenha acrescentado que se opõe à iniciativa da flotilha. A ministra das Relações Exteriores do Canadá, Anita Anand, avaliou o vídeo como “profundamente perturbador e absolutamente inaceitável”. Mais tarde, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, classificou o tratamento dado por Israel aos ativistas detidos como “abominável” e “inaceitável”. O chanceler holandês, Tom Berendsen, afirmou que as imagens são “chocantes” e acrescentou que tratou do assunto com o ministro israelense das Relações Exteriores. O premiê Pedro Sánchez, da Espanha, definiu as imagens como inaceitáveis e afirmou que a Espanha “não tolerará que ninguém maltrate nossos cidadãos”. Assim como a Polônia, Sánchez ainda declarou que seu governo defenderá a ampliação para toda a União Europeia da proibição de entrada de Ben-Gvir na Espanha. A repercussão negativa gerou críticas até mesmo dentro de Israel. O primeiro-ministro isaelense, Benjamin Netanyahu, defendeu a interceptação da flotilha, mas reiterou que o tratamento dado por Ben-Gvir aos ativistas “não está alinhado aos valores e normas de Israel”. O chanceler do país, Gideon Saar, também criticou Ben-Gvir pelo tratamento dado aos ativistas, afirmando que ele prejudicou Israel em uma “demonstração vergonhosa” e enfraqueceu o trabalho de soldados e diplomatas israelenses. “Não, você não é a face de Israel”, escreveu Saar na rede X. O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, criticou Ben-Gvir pelo tratamento dado aos ativistas detidos. Segundo ele, embora a flotilha tenha sido uma “encenação estúpida”, Ben-Gvir “traiu a dignidade” de Israel com a forma como tratou os detidos. Os Estados Unidos é um dos principais aliados de Israel. Na terça-feira, o Tesouro americano anunciou a imposição de sanções contra quatro pessoas ligadas à flotilha de ajuda humanitária que tenta chegar a Gaza. O órgão dos EUA justificou a medida ao afirmar que a Conferência Popular dos Palestinos no Exterior (Pcpa), organizadora da flotilha, foi criada com recursos do Departamento de Relações Internacionais do Hamas e é comandada por integrantes do grupo. “A flotilha pró-terrorismo que tenta chegar a Gaza é uma tentativa ridícula de minar o progresso alcançado pelo presidente Trump rumo a uma paz duradoura na região”, afirmou o secretário do Tesouro, Scott Bessent, em comunicado na ocasião. “O Tesouro continuará desmantelando as redes globais de apoio financeiro do Hamas, não importa onde estejam”, prosseguiu. O Ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir, cumprimenta uma pessoa durante a marcha anual do Dia de Jerusalém na Cidade Velha de Jerusalém, em 14 de maio de 2026 — Foto: REUTERS/Ammar Awad
Países criticam Israel após ministro divulgar vídeo com ativistas pró-Gaza ajoelhados e amarrados
Repercussão negativa da gravação gerou condenação até mesmo de políticos israelenses e dos Estados Unidos










