O Brasil atingiu em 2024 o maior Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) de sua história, com nota 0,805. Mas, por trás do recorde divulgado nesta terça-feira (26), o dado expõe um contraste: o país abriga dois "Brasis", um que já superou o nível muito alto e outro que corre para chegar lá. Considerando apenas os critérios de longevidade, renda e educação, a análise dos dados do radar IDHM aponta um padrão geográfico consistente nos dois últimos indicadores. Em ambos, as três unidades federativas com melhor desempenho são o Distrito Federal ou estão localizadas nas regiões Sul e Sudeste, enquanto os piores resultados se concentram no Norte e Nordeste. No caso da Renda, além do primeiro lugar ocupado pelo Distrito Federal, o segundo e terceiro lugar são São Paulo (0,799) e Santa Catarina (0,797), enquanto as notas mais baixas são do Maranhão (0,658), Ceará (0,677) e Amazonas (0,680). Já no critério de Educação, os resultados mais altos pertencem ao Distrito Federal (0,851), São Paulo (0,850) e Rio de Janeiro (0,826), enquanto os desempenhos mais baixos são de Sergipe (0,731), Paraíba (0,730) e Alagoas (0,729). O índice de Longevidade mostra uma exceção: os melhores resultados são de Distrito Federal (0,913), Santa Catarina (0,888) e Rio Grande do Norte (0,881), ao passo em que Roraima (0,823), Alagoas (0,823) e Amapá (0,822) ocupam a parte mais baixa do ranking. Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) em 2024 Estados IDH Consolidado IDH Educação IDH Longevidade IDH Renda Distrito Federal 0,866 0,851 0,913 0,837 São Paulo 0,838 0,85 0,867 0,799 Santa Catarina 0,833 0,817 0,888 0,797 Paraná 0,822 0,815 0,864 0,79 Rio de Janeiro 0,819 0,826 0,844 0,789 Rio Grande do Sul 0,818 0,791 0,869 0,796 Goiás 0,815 0,821 0,863 0,763 Mato Grosso 0,812 0,816 0,845 0,776 Minas Gerais 0,809 0,803 0,875 0,754 Espírito Santo 0,804 0,784 0,87 0,763 Mato Grosso do Sul 0,797 0,786 0,84 0,766 Tocantins 0,797 0,801 0,861 0,734 Rondônia 0,786 0,778 0,85 0,734 Roraima 0,78 0,81 0,823 0,713 Rio Grande do Norte 0,778 0,741 0,881 0,72 Ceará 0,773 0,783 0,871 0,677 Amazonas 0,767 0,788 0,841 0,68 Pernambuco 0,767 0,764 0,842 0,702 Piauí 0,764 0,742 0,866 0,695 Sergipe 0,761 0,731 0,856 0,705 Paraíba 0,76 0,73 0,864 0,696 Amapá 0,759 0,745 0,822 0,713 Bahia 0,759 0,743 0,847 0,694 Pará 0,758 0,736 0,854 0,692 Acre 0,754 0,74 0,848 0,684 Alagoas 0,746 0,729 0,823 0,691 Maranhão 0,745 0,746 0,844 0,658 Brasil 0,805 0,798 0,86 0,76 Embora apareçam atrás na maioria dos indicadores, os estados do Norte e Nordeste estão "muito pouco atrás", afirmou a chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, Betina Barbosa. Ela ressalta que, apesar do desempenho inferior na comparação nacional, todos ainda se enquadram na faixa de alto desenvolvimento humano. "Ninguém está ruim na fita, independentemente do ranking estadual." Barbosa acrescentou que os estados do Norte e Nordeste têm maior margem para avanços mais rápidos no desenvolvimento humano. “Os estados que lideram o ranking tendem a crescer mais devagar, enquanto os retardatários têm mais espaço para avançar”, disse. O último índice divulgado, referente a 2023, colocava o Brasil com a nota 0,798. Comparando os números mais recentes com a última edição da pesquisa, o país teve um aumento nos quesitos estudados. O índice de longevidade subiu de 0,857 em 2023 para 0,860 em 2024. Enquanto o de educação aumentou de 0,789 para 0,798. E, o de renda, de 0,752 para 0,760. "O Brasil entra em novos ciclos de desenvolvimento humano, devido ao crescimentos dos nichos de renda, educação e longevidade", afirmou Barbosa. O IDHM varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, mais desenvolvido é o local. A leitura do indicador, que mede a qualidade de vida de um país, é feita assim: De 0 a 0,499: muito baixoDe 0,5 a 0,599: baixoDe 0,6 a 0,699: médioDe 0,7 a 0,799: alto0,8 a 1: muito alto *Estagiária sob supervisão de Diogo Max