Puxado pelo bem-estar da população branca, o Brasil entrou na faixa de desenvolvimento humano considerado "muito alto" pela primeira vez, segundo o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM). O indicador, referente a 2024, subiu pelo terceiro ano consecutivo. Todos os critérios utilizados no levantamento contribuíram para a melhora do bem-estar. O estudo avalia a longevidade, a educação e a renda da população. O IDHM do Brasil subiu para 0,805 em 2024, ante 0,798 de 2023. Os dados são da Unidade de Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O indicador tem o objetivo de medir a qualidade de vida de um país, com base em fatores como expectativa de vida, anos de escolaridade e renda per capita. A escala vai de 0 a 1, sendo que, quanto mais próximo o índice estiver de 1, melhor é a qualidade de vida naquela nação. Apesar de carregar o “municipal” no nome, o IDHM agregado para o Brasil tem a mesma metodologia e se iguala numericamente ao IDH, que é mais conhecido. Leia mais: Levando em conta toda a população brasileira, o índice de longevidade subiu de 0,857 em 2023 para 0,860 em 2024. De educação, de 0,789 para 0,798. De renda, de 0,752 para 0,760. O documento também mostra que a desigualdade entre brancos e negros diminuiu desde 2012. Mas as diferentes realidades de qualidade de vida persistem entre os grupos. O nível de desenvolvimento “muito alto” só vale para a população branca, que atingiu índice de 0,851 em 2024. O indicador para os negros foi de 0,774, nível considerado “alto”. “As evidências indicam uma evolução positiva do IDHM e seus subíndices, situando o país, alguns Estados, o Distrito Federal e a maioria das Regiões Metropolitanas e uma Região Integrada de Desenvolvimento (Ride) no patamar de muito alto desenvolvimento humano”, disse o sumário-executivo do estudo. Há diferenças também no critério de longevidade. Enquanto a população branca tem esperança de vida de 79,8 anos, os pretos e pardos têm patamar de 75,73 anos. O IDHM escolar foi calculado com base nos subíndices de frequência escolar e escolaridade. A porcentagem da população adulta branca com ensino fundamental completo foi de 76,63% em 2024. O mesmo critério foi de 67,33% para pretos e pardos. O documento destaca, porém, que a distância da qualidade de vida entre ambos os grupos diminuiu desde 2012. O IDHM dos brancos subiu de 0,804 para 0,851, ou 0,047, durante os últimos 12 anos da pesquisa. Entre a população negra, avançou de 0,694 para 0,774, ou 0,080. Ou seja, a diferença que era de 0,110 passou para 0,077. A população branca atingiu o patamar "alto" de desenvolvimento humano em 2019, quando os negros tinham nível "médio". A população de pretos e pardos superou a barreira em 2023, mesmo ano que os brancos subiram para o nível "muito alto". “A maior diferença ocorreu em 2016, atingindo 0,113, com IDHM Renda Branco de 0,786 e IDHM Renda Negro de 0,673. A menor desigualdade foi em 2024, chegando a 0,094, com IDHM Renda Branco de 0,806 e IDHM Renda Negro de 0,712”, diz o estudo. O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal Ajustado à Desigualdade (IDHMAD) desconta a desigualdade para o cálculo do IDHM. Ou seja, num país sem desigualdade, o IDHM e o IDHMAD seriam iguais. No caso do Brasil, o IDHMAD posiciona o Brasil no nível médio de desenvolvimento humano. O IDHMAD do Brasil aumentou de 0,566 em 2012 para 0,641 em 2024. — Foto: Steve Buissinne / Pixabay
Brasil entra pela primeira vez na faixa de desenvolvimento humano considerado ‘muito alto’, diz Pnud
IDHM do Brasil subiu para 0,805 em 2024, ante 0,798 de 2023, terceiro ano consecutivo de alta











