Fim do programa nuclear iraniano, mudança de regime no Irã, restrições ao arsenal de mísseis do país e disrupção na rede de aliados de Teerã no Líbano (Hezbollah) e no Iêmen (houthis). Esses eram objetivos anunciados por Israel e Estados Unidos quando iniciaram a guerra contra o Irã, em 28 de fevereiro.
Missão descumprida. Nenhuma dessas metas será atingida com o acordo que está sobre a mesa, independentemente do resultado das negociações de paz em curso entre americanos e iranianos.
Pelo contrário. A guerra engendrada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, deve deixar como legado um governo ainda mais linha-dura no Irã, não restringirá o programa de mísseis e drones do país, dificilmente vai levar à transferência de todos os 440 quilos de urânio enriquecido a 60% e a um comprometimento de Teerã com uma moratória longa no enriquecimento —além de não mudar as relações iranianas com seus proxies.
Para completar, o Irã ganhou uma arma poderosa para impor seu poder na região e no mundo: a administração do estreito de Hormuz. Ainda que o atual acordo preveja uma liberação da via marítima, o Irã já indicou que pode adotar uma espécie de pedágio ou taxas "ambientais", e sempre vai pairar a possibilidade de voltar a restringir a passagem de embarcações.













