Na mira da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, a corretora Planner foi fundada em 1995 e era forte em investimentos de pessoas físicas. De lá para cá, adquiriu diversas carteiras, cresceu no varejo, deixou o segmento e seu mais recente movimento foi a aquisição, por parte de sua holding, a B100, da Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), que fazia parte da Reag. Este último grupo é investigado na Operação Carbono Oculto e foi liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central em janeiro. Entre 2003 e 2015, a Planner se fortaleceu no varejo, comprando carteiras das corretoras DC, Theca e Talarico. Em 2018, criou sua divisão de fortunas e, em 2022, seguiu no caminho de saída do varejo vendendo sua carteira para o BTG Pactual, na esteira de outras corretoras que não conseguiram fazer frente às plataformas digitais, que cresciam em ritmo acelerado. A Planner seguiu atuando no atendimento ao público institucional, em serviços como administração fiduciária, fundos, câmbio e operações estruturadas. Reportagem do Valor sobre a venda para o BTG informava que a casa vinha numa sequência de prejuízos. Fechou 2019 e 2020 com resultado negativo na casa de R$ 1,6 milhão, e em nove meses de 2021 contabilizou perdas líquidas de R$ 3,6 milhões, o que obrigou os sócios a fazerem alguns aportes. Em meio aos desdobramentos da Carbono Oculto, no fim de agosto de 2025, a B100, adquiriu em novembro do ano passado a Ciabrasf, do grupo Reag, que havia entrado em processo de desinvestimento forçado. Anunciada em setembro, a transação foi concluída em janeiro, semanas antes de o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da Reag Trust DTVM. O valor, que envolveu a compra de 97% das ações, foi simbólico: R$ 1 mil, mais um “earn-out” (valor futuro) equivalente a 15% da receita líquida a serem pagos ao longo dos próximos dez anos. Ou seja, a transação jogou o valor econômico do negócio para o futuro, com mecanismos variáveis atrelados à performance e a um eventual evento de liquidez. Na ocasião, a Planner tinha cerca de R$ 19 bilhões em administração de fundos e carteiras de terceiros. Dessa forma, a Ciabrasf passou a integrar o grupo do empresário Carlos Arnaldo Borges de Souza, dono da Planner, que reúne ainda a gestora de fundos institucionais Redwood, a Vorare Real Estate, a subadquirente Bem Fácil Digital, e a ACCredito, empresa de crédito em sociedade com Associação Comercial de São Paulo. A Planner identificou cerca de 220 fundos, dos 700 hoje sob responsabilidade do liquidante da Ciasbraf de interesse para o seu esforço comercial. Essas carteiras reúnem cerca de R$ 80 bilhões. No fim de fevereiro, conforme relatado pelo Valor, acertou com a liquidante, a APS Serviços Especializados, acordo para atualizar e voltar a rodar os fundos que tiveram seus atos congelados, para que ficassem em conformidade financeira e regulatória e as carteiras de investidores de fato puderam começar a ser transferidas para outras administradoras e gestoras. Em entrevista ao Valor em março deste ano, Souza afirmou que não haveria transferência maciça, automática e em bloco de fundos. “É fundo a fundo, com todo ritual que precisa ter.” No acordo, cerca de 100 funcionários da administradora João Carlos Mansur, fundador da Reag, foram para a Planner. Esta última por muito tempo abrigou fundos de Nelson Tanure, também citado na Compliance Zero. Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, fez carreira na Planner, onde foi sócio. Quando saiu da sociedade, levou a parte de custódia e abriu Trustee DTVM, também investigada no caso Master. A Planner também é citada em casos como a Operação Greenfield e na Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou desvios em fundos de pensão. Mas, na entrevista ao Valor, Souza afirmou que no fim não houve indiciamento nem comprovação de falhas por parte da corretora, que administrava dois dos portfólios citados, o Eldorado Florestal e o Multiner. Em 4 de maio, a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (CBSF), a empresa de administração fiduciária da Reag listada na bolsa e vendida para a holding da Planner, teve o seu nome mudado para B100 S/A. Carlos Arnaldo Borges de Souza, dono da Planner — Foto: Gabriel Reis/Valor
Na mira da Compliance Zero, Planner comprou ex-Reag envolvida na Carbono Oculto e foi citada na Operação Greenfield
Maurício Quadrado, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, fez carreira na corretora, onde foi sócio














