Junho e julho devem ser meses movimentados para a emissão de títulos de dívida em dólar (bonds) de nomes brasileiros, em contraste com o segundo semestre, quando a proximidade das eleições no país pode mexer com o interesse das companhias locais. A avaliação é de Caio de Luca Simões, responsável pela área de renda fixa do Bank of America (BofA). “No segundo semestre serão operações mais táticas. Não vejo CFOs se preparando para sair em meio às eleições”, disse Simões hoje a jornalistas. Até o momento, o volume de captações lá fora, considerando a emissão do Tesouro em euro, é de cerca de US$ 21 bilhões, acima dos US$ 15 bilhões registrados no mesmo período de 2025. No ano passado completo, as ofertas se aproximaram dos US$ 40 bilhões. Apesar de não ter projeções para 2026, Simões espera que, com a volatilidade comum no período eleitoral, o mercado fique menos movimentado. Estudo do próprio BofA mostra que, em anos sem eleição, 40% das operações ficam concentradas no segundo semestre. Em anos eleitorais, porém, essa fatia cai para 20%. Atualmente, o momento é de liquidez no mercado americano. Essa liquidez, afirma, se estendeu para a América Latina e permitiu operações de países como Equador e Argentina. No Brasil, a operação mais recente foi da Movida, no dia 13 de maio. A companhia captou US$ 350 milhões com títulos de sete anos. Questionado sobre o impacto de eventos de crédito nas emissões, Simões disse que eles trouxeram cautela, mas que o capital do estrangeiro continua disponível, ainda que mais exigente. Hans Lin, co-head de Investment Banking Brasil, disse que, com o mercado de dívida local mais desafiador, há uma tendência de emissores “olhando para fora porque precisam se refinanciar”. Segundo Simões, o mercado local mais morno já teve peso nas ofertas mais recentes das companhias brasileiras. No total, foram 15 ofertas neste ano. Além de Tesouro e Movida, Bradesco, BTG, FS Bio, Sabesp, Azul, JBS, Minerva, J&F, Banco do Brasil, Rede D’Or e Oceânica captaram recursos lá fora desde janeiro. Caio de Luca Simões, responsável pela área de renda fixa do Bank of America (BofA) — Foto: Anna Carolina Negri/Valor
Antes de volatilidade eleitoral, janela para bonds brasileiros será movimentada em junho e julho, diz BofA
Estudo do banco mostra que, em anos sem eleição, 40% das operações ficam concentradas no segundo semestre; em anos eleitorais, fatia cai para 20%










