O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (25) que pediu a países como Catar, Arábia Saudita, Paquistão, Egito, Jordânia e Turquia que aderissem em massa aos Acordos de Abraão para normalizar as relações com Israel. O pedido ocorre enquanto Washington tenta negociar um acordo para encerrar a guerra com o Irã. O Paquistão rejeitou a proposta. Nenhum dos outros países reagiu publicamente até agora à exigência de Trump, e uma resposta positiva parecia improvável, já que a desconfiança pública em relação a Israel nessas nações muçulmanas continua elevada devido à magnitude de sua ofensiva militar em Gaza. Trump disse ter conversado no sábado com os líderes desses países, bem como com os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, que já assinaram os acordos, sobre um conjunto de tratados para normalizar as relações com Israel. "Estou solicitando obrigatoriamente que todos os países assinem imediatamente os Acordos de Abraão e que, se o Irã assinar o acordo comigo, como presidente dos Estados Unidos da América, seria uma honra tê-los também como parte desta coalizão mundial sem precedentes", escreveu Trump em uma publicação na Truth Social. Ele citou "todo o trabalho realizado pelos Estados Unidos para tentar resolver este quebra-cabeça muito complexo". Uma fonte de segurança paquistanesa afirmou que a declaração de Trump refletia uma tentativa de usar a diplomacia do cessar-fogo com o Irã para impulsionar mais amplamente os Acordos de Abraão, mas disse que os dois temas “não estão interligados e não podem ser transformados nisso”. “O Paquistão não está sob nenhuma obrigação de aderir a qualquer exigência desse tipo”, afirmou a fonte. Trump disse que esses países se sentiriam honrados em ter o Irã como parte dos acordos, assim que um acordo para pôr fim à guerra for alcançado. O gabinete do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre a publicação de Trump. Os outros países citados por Trump também não responderam imediatamente à publicação sobre os Acordos de Abraão. Trump disse que um ou dois dos países com os quais conversou podem ter um motivo para não aderir, mas que a maioria deveria estar "pronta, disposta e apta a fazer deste acordo com o Irã um evento muito mais histórico do que seria de outra forma". Para a Arábia Saudita — berço do islamismo e guardiã de seus dois locais mais sagrados, Meca e Medina — reconhecer Israel seria mais do que apenas um marco diplomático. Trata-se de uma questão de segurança nacional profundamente sensível, ligada à resolução de um dos conflitos mais antigos e difíceis da região. A posição histórica do reino é que ele não assinaria os Acordos de Abraão sem um acordo sobre um roteiro para a criação de um Estado palestino. O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e Mohammed bin Salman, príncipe herdeiro da Arábia Saudita, apertam as mãos durante uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, na terça-feira, 18 de novembro de 2025 — Foto: Nathan Howard/Politico/Bloomberg Egito, Jordânia e Turquia já mantêm relações diplomáticas com Israel, embora esses laços tenham se deteriorado desde o início da guerra em Gaza. Trump também afirmou que as negociações com o Irã estavam “avançando bem”, mas não indicou que um acordo estivesse próximo. O senador Lindsey Graham, aliado de longa data de Trump, defendeu a ideia de vincular um acordo com o Irã à expansão dos Acordos de Abraão como algo "transformador para a região e para o mundo". Outros veem a estratégia como uma forma de tornar um acordo com o Irã mais aceitável para os céticos. "Trump está tentando vender um acordo com o Irã como uma sequência dos Acordos de Abraão: bom para Israel, bom para a região, suficientemente duro para Washington", disse Ali Vaez, diretor do projeto Irã do International Crisis Group. "Mas ele está trocando uma fantasia por outra — de forçar o Irã a se render e de fingir que um acordo frágil pode ancorar uma nova ordem no Oriente Médio." Trump tem declarado repetidamente que deseja expandir os acordos que intermediou durante seu primeiro mandato na Casa Branca. Os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein assinaram o acordo durante o primeiro mandato de Trump, em 2020, quebrando um tabu de longa data ao se tornarem os primeiros Estados árabes a reconhecer Israel em um quarto de século. Marrocos e Sudão seguiram o exemplo. Egito e Jordânia já haviam estabelecido relações com Israel. O presidente republicano estava otimista quanto à possibilidade de a Arábia Saudita, potência regional, finalmente aderir aos acordos após a entrada em vigor do cessar-fogo em Gaza no ano passado, mas Riad não demonstrou nenhuma disposição para avançar. O presidente Donald Trump discursa no Rockland Community College, na sexta-feira, 22 de maio de 2026, em Suffern, Nova York — Foto: AP/Alex Brandon