O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou com aliados, entre eles Israel, um rascunho do acordo destinado a encerrar a guerra com o Irã, segundo reportagem do The Guardian desta sexta-feira (29). O movimento ocorre em meio a esforços para evitar que novas violações do cessar-fogo comprometam as negociações. O chanceler paquistanês, Mohammad Ishaq Dar, viajará a Washington nesta sexta-feira e terá uma reunião com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, em mais uma demonstração de esforço diplomático para encerrar o conflito do Oriente Médio. O Paquistão tem atuado como mediador das negociações entre os EUA e o Irã. O principal negociador do Irã, Qalibaf, afirmou nesta sexta-feira que ainda aguarda gestos dos EUA para dar continuidade às negociações de um acordo. "Não confiamos em garantias ou palavras; apenas ações são medidas válidas, e nenhuma ação será tomada antes que a outra parte aja", disse. Nesta semana, Washington e Teerã chegaram a escalar as tensões. Na quinta-feira, por exemplo, forças iranianas atacaram uma base aérea dos EUA no Kuwait, que figura como um dos principais aliados dos americanos no Golfo. O ataque se deu como retaliação aos ataques infligidos por militares americanos contra o que descreveram como uma “operação iraniana de drones próxima ao Estreito de Ormuz”. Os recentes episódios evidenciaram a fragilidade da situação num momento em que os negociadores dos dois lados se recusam a ceder nos pontos finais de divergência. Conforme o Guardian, a versão compartilhada por Trump apresenta poucas mudanças em relação ao texto que circula há dias entre interlocutores da região. A minuta prevê, segundo a reportagem, a normalização da navegação comercial por Ormuz, a suspensão do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e o acesso do Irã a até US$ 12 bilhões em ativos congelados. Ainda de acordo com o jornal, o objetivo seria restabelecer o fluxo comercial pela hidrovia, responsável pela passagem de cerca de 20% do petróleo e gás natural comercializados globalmente, aos níveis anteriores à guerra em até 30 dias. Embarcações no Estreito de Ormuz , Musandam, Omã, 18 de maio de 2026 — Foto: Reuters Além disso, negociações posteriores estariam previstas para durar até 60 dias e discutiriam questões mais sensíveis para ambos os lados, como o futuro do estoque de urânio altamente enriquecido do Irã, a suspensão temporária de novas atividades de enriquecimento e a supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea), órgão nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão é que o Irã também renuncie ao uso de armas nucleares. Na quinta-feira, o vice-presidente americano, J.D. Vance enfatizou que um entendimento entre Washington e Teerã está próximo. Ele reconheceu, por outro lado, que ainda há impasses em torno do estoque iraniano de urânio enriquecido e das futuras atividades de enriquecimento. “É difícil dizer exatamente quando ou se o presidente vai assinar o memorando de entendimento. Ainda estamos ajustando alguns pontos de redação”, afirmou na ocasião. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, durante uma reunião de gabinete na Casa Branca, em Washington, D.C., EUA, na quarta-feira, 27 de maio de 2026 — Foto: Samuel Corum/Sipa/Bloomberg De acordo com o Guardian, a proposta é mais vaga do que a defendida por Teerã quando trata do eventual alívio de sanções sobre as exportações iranianas de petróleo e petroquímicos. Em contrapartida, prevê a livre circulação de embarcações por Ormuz, sem cobrança de pedágios. O estreito parece ter se tornado um dos pontos de divergência entre Washington e Teerã. Isso porque Teerã tenta negociar com Omã um acordo separado que permitiria a cobrança de taxas por “serviços de navegação”. Na quarta-feira, porém, Trump afirmou que qualquer acordo precisaria garantir a abertura imediata do estreito e ameaçou “explodir” Omã caso o país não se comportasse. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, por sua vez, afirmou na quinta-feira que o embaixador de Omã em Washington garantiu que “não há planos” para a cobrança de pedágio na hidrovia. Em paralelo, a Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica divulgou um comunicado reafirmando seu controle sobre Ormuz e informou que autorizou a passagem de 26 navios comerciais e petroleiros nas últimas 24 horas. Segundo a corporação, “a obtenção de autorização é obrigatória e a utilização de outras rotas será considerada uma perturbação”. A Guarda afirmou ainda ter impedido, na noite de quarta-feira, a passagem de quatro embarcações que navegavam com seus transponders desligados. Duas foram retidas e duas obrigadas a retornar. Em resposta, Washington impôs novas sanções à recém-criada Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico, entidade criada por Teerã para administrar o tráfego marítimo na hidrovia, e também contra o comércio de petróleo das Forças Armadas do Irã. Na quinta-feira, o Departamento do Tesouro americano informou ter sancionado oito embarcações e 15 entidades envolvidas no transporte de petróleo bruto e derivados iranianos para os mercados internacionais.
Trump compartilha rascunho de acordo de paz com Israel e outros aliados, diz jornal
Movimento ocorre em meio a esforços para evitar que novas violações do cessar-fogo comprometam as negociações entre Washington e Teerã













