O presidente americano, Donald Trump, voltou a afirmar nesta quarta-feira que o Irã quer fechar um acordo para encerrar a guerra contra os Estados Unidos e Israel, mas expressou insatisfação com os termos do acordo que está sendo negociado com Teerã. As declarações ocorreram durante a abertura de uma reunião de Gabinete na Casa Branca, convocada por Trump para discutir a situação do conflito e as negociações em curso com seus principais assessores. “O Irã está muito empenhando, quer fechar um acordo. Até agora, eles não conseguiram chegar lá. Não estamos satisfeitos com isso, mas estaremos. Estaremos ou então teremos simplesmente que terminar o trabalho", disse Trump, renovando as ameaças a Teerã caso não haja um entendimento entre as partes. A reunião de Gabinete ocorre após a TV estatal iraniana divulgar uma versão inicial de um memorando que estaria sendo negociado pelos dois países. O documento prevê a extensão do cessar-fogo em vigor desde abril e abertura do Estreito de Ormuz sob o controle do Irã, em coordenação com Omã. A TV estatal iraniana acrescentou que o acordo não havia sido finalizado, mas que o Irã se comprometeria a restaurar o transporte marítimo por Ormuz aos níveis anteriores à guerra. Em troca, os EUA suspenderiam o bloqueio naval aos portos iranianos, enquanto os países negociariam outros termos, como o programa nuclear de Teerã. A divulgação do texto gerou esperanças nos mercados que os países estavam mais perto de um entendimento, mas o otimismo durou pouco tempo. Pouco depois, a Casa Branca chamou o memorando de "completa invenção", negando seu conteúdo. "Esta reportagem da mídia controlada pelo Irã não é verdadeira. O memorando de entendimento que eles divulgaram é uma completa invenção", disse o governo americano nas redes sociais. "Ninguém deveria acreditar no que a mídia estatal iraniana está divulgando". Apesar das declarações de Trump, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou na reunião que houve avanços na negociação com o Irã. "Acho que houve algum progresso e algum interesse. Veremos nas próximas horas e dias se será possível alcançar um acordo", acrescentou. O jornal britânico Financial Times já havia informado que, nos termos da proposta preliminar discutida entre os países, o cessar-fogo seria prorrogado por 60 dias, período em que o Estreito de Ormuz seria gradualmente reaberto, enquanto Teerã e Washington manteriam conversas sobre o programa nuclear iraniano. Trump e Rubio reiteraram hoje que o principal objetivo dos EUA nas negociações é impedir que o Irã tenha uma arma nuclear. Teerã nega ter a intenção de usar seu programa atômico para a construção de uma bomba. O presidente americano tem sido criticado por aliados pelos termos das negociações em andamento com o Irã divulgados pela imprensa internacional. O memorando deixaria muitas questões-chave, como o programa nuclear, para serem resolvidas posteriormente. As pressões sobre Trump tem aumentado à medida que as eleições de meio de mandato para o Congresso, em novembro, entram no radar, com os republicanos temendo que o aumento dos custos de vida e dos preços dos combustíveis esteja piorando o humor dos americanos. Ao falar sobre o tema hoje, Trump disse “não se importar” com as eleições de meio de mandato e mencionou indiretamente a vitória de Ken Paxton, apoiado por ele, contra o senador John Cornyn, nas primárias do Partido Republicano para o Senado no Texas. "O Irã achou que conseguiria esperar que eu perdesse força. 'Vamos esperar que ele vá embora, ele tem as eleições de meio de mandato'. Eu não me importo com as eleições de meio de mandato. Vejam o que aconteceu ontem à noite", afirmou Trump. Trump discursa durante reunião de gabinete na Casa Branca — Foto: Evan Vucci/Reuters