Apenas três pré-candidatos à Presidência da República operam com militância digital própria em 2026: Lula, Flávio Bolsonaro e Renan Santos. É o que mostram os dados de mais de 100 mil grupos públicos de WhatsApp monitorados em tempo real pela Palver em uma amostra de mensagens entre os dias 6 e 24 de maio. Os outros dois nomes hoje cogitados como alternativas à direita, Romeu Zema e Ronaldo Caiado, dependem de mobilizações emprestadas ou apostam em modelos políticos tradicionais sem componente digital autônomo. Em um país onde a opinião política se forma cada vez mais pela internet, ter base militante orgânica é variável estratégica de primeira ordem.A militância do PT precede a era digital e fez com que o partido sobrevivesse a diversas crises, desde o Mensalão, à Lava Jato, ao impeachment de Dilma Rousseff, à prisão de Lula em 2018 e à derrota para Bolsonaro. Isso acontece porque a militância continuou existindo mesmo quando o partido enfrentou seus piores momentos. Mesmo com rejeição estrutural alta no universo do WhatsApp monitorado, com sentimento negativo oscilando em torno de 70% das mensagens, a militância petista segue mobilizada.

Um contraponto evidente da história recente é Ciro Gomes. Teve militância orgânica forte por duas décadas, foi a terceira força mais consistente do Brasil nos últimos ciclos eleitorais. O PDT abrigou Ciro durante esse período, mas racharam quando Lula voltou ao poder em 2022. Sem casa institucional para abrigar a militância, ela se desidratou. Hoje Ciro é figura sem campo, e seu eleitorado se diluiu entre quem voltou ao PT, quem migrou para a direita antipetista e quem desistiu da política. A lição é que militância sem partido é frágil, e, pelo mesmo motivo que o novo trabalhismo perdeu espaço, o PT conseguiu se manter coeso.