O banqueiro André Esteves, sócio do BTG Pactual, afirmou neste sábado (23) que o maior problema que o Brasil vive não é a economia, que "está fácil de resolver". Para o executivo, que participou do fórum do grupo Esfera Brasil no Guarujá (SP), em um painel ao lado do presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, e do ministro do Tribunal de Contas da União, Bruno Dantas, a questão primordial está no avanço do crime organizado sobre instituições públicas e privadas.
"O que mais me preocupa é uma guerra entre o Brasil institucional, que somos nós aqui nessa sala, contra o Brasil não institucional. O presidente [do BNDES] Aloizio falou aqui, 20% do mercado de combustível ficou informal. Como é que pode acontecer isso?", questiona, para emendar no mesmo raciocínio uma crítica ao banco Master, de Daniel Vorcaro. "De repente, um banco inexpressivo criou um rombo de R$ 50 bi no FGC [Fundo Garantidor de Créditos], R$ 12 bi no BRB, R$ 4 bi em institutos de previdência. Como é que é possível?", afirma.
Na avaliação do banqueiro, em relação ao Master, houve falhas por parte do antigo comando do Banco Central, embora diga que "faz parte errar" e que a atual gestão aperfeiçoou os controles.
Esteves reforçou que o Brasil institucional não pode perder a guerra para a criminalidade. "Outro dia, um ministro do Supremo declarou que 34 membros da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro estão sendo investigados por ligação com a milícia ou com tráfico de drogas. Lembrando que são 70 deputados na Assembleia do Rio. Isso não pode acontecer", afirmou. "Não estamos falando de investigação por uma discussão tributária, interpretação de regra de câmbio. Nós estamos falando de tráfico de droga, de milícia, de gente que mata gente. Não podemos nos conformar com isso. Esse é o desafio."











