Atletas se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico Bilionário americano Bryan Johnson tem como objetivo voltar biologicamente aos 18 anos — Foto: Reprodução RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 22/05/2026 - 22:43 Enhanced Games: Evento Com Doping Declarado Agita Las Vegas Os Enhanced Games, um evento esportivo não convencional, começam hoje em Las Vegas, reunindo 50 atletas de alto desempenho em provas de atletismo, natação e levantamento de peso. Organizado por investidores interessados em prolongar a vida, o evento conta com doping declarado e prêmios milionários. Atletas como Kristian Gkolomeev participam atraídos pelo dinheiro e pela chance de reconhecimento, mesmo ao custo de serem banidos de competições oficiais. O evento é apoiado por figuras como Peter Thiel e Donald Trump Jr., com a promessa de desafiar os limites do corpo humano. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO Começa hoje em Las Vegas um experimento humano criado por um punhado de venture capitalists obcecados em retardar a finitude da vida — no caso, a deles em primeiro lugar. Batizado por seus fundadores de Enhanced Games (algo como jogos aprimorados, ou turbinados), o experimento em forma de competição esportiva reúne 50 atletas de alto rendimento que disputarão provas de atletismo, natação e levantamento de peso. Mas apenas as modalidades mais extremas e cintilantes desses esportes: a corrida de 100m rasos, os 50m e 100m nados livre e borboleta e o levantamento de até 510 quilos. Tudo movido a um inédito regime de doping declarado, com premiação milionária aos atletas-cobaias. Para os financiadores do projeto, trata-se de acelerar a expansão da economia, com suas startups voltadas à extensão da vida, embrulhar o pacote num espetáculo esportivo macho alfa e levar os espectadores a consumir os milagrosos produtos que haverão de ser anunciados. Ao longo dos últimos três meses, 37 dos 50 atletas admitidos para a competição se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico contratado pela organização. Confinados num resort cinco estrelas em Abu Dhabi, voluntariam seus corpos para o experimento com testosterona, esteroides anabolizantes, drogas de crescimento como HGH e EPO, moduladores metabólicos, hormônios, estimulantes como Adderall — tudo o que é proibidíssimo em olimpíadas, mundiais ou pela sempre fraudada ética da competição limpa. O que leva um atleta de alto rendimento a participar desse evento quando sabe que estará automaticamente barrado de qualquer olimpíada ou competição esportiva convencional? O dinheiro. Além do dinheiro, a chance de compensar os muitos anos de treino inglório. E a permanente suspeita de doping não detectado, ou detectado tardiamente, em determinadas delegações. Tome-se o exemplo do nadador greco-búlgaro Kristian Gkolomeev. Em três olimpíadas recentes (Londres, Rio, Japão), ele quase chegou ao pódio nos 50m nado livre. Treinou mais quatro anos para Paris 2024, mas novamente perdeu a medalha de bronze por 0,03 segundo. Estava com 30 anos, um filho pequeno e diante de uma vitória cada vez mais fugidia. Fez as contas e percebeu que, somados seus rendimentos com o esporte ao longo de 14 anos, ganhou menos do que se tivesse trabalhado num McDonald’s. Pois bem, em fevereiro de 2025, Gkolomeev havia se juntado à turma do Enhanced Games e nadou turbinado por um coquetel medicamentoso, enfiado num maiô inteiro de poliuretano, que reduz o atrito na água e está proibido desde 2010 pela Federação Internacional de Natação (Fina). Longe dos holofotes e da homologação oficial, bateu o recorde mundial que já durava 16 anos por 0,02 segundo. Foi recompensado com um cheque de US$ 1 milhão. De lá para cá, o mesmo recorde foi novamente batido, sem doping, pelo australiano Cameron McEvoy em evento na China não homologado pela Fina. Não recebeu um tostão. A expectativa maior em Las Vegas estará na prova outrora considerada a mais pura, bela, clara, primal, universalmente compreensível e intuitiva a qualquer bípede: a corrida de 100m rasos. O jamaicano Usain Bolt fez dela uma arte, transformou-a em cultura, imortalizou-a na marca de 9s58, com seu corpo estalando de sadio. Para o australiano Aron D’Souza, um dos fundadores do Enhanced Games, o queixo do mundo haverá de cair quando ficar provado que o Übermensch em produção nos laboratórios das startups é melhor que o ser humano natural. Quem mais está na origem do experimento? O cavernoso Peter Thiel, é claro, com sua obsessão transumanista que tantas vezes já se revelou anti-humanista. E Donald Trump Jr., sempre à espreita de um novo negócio, além do rei da biotecnologia alemã Christian Angermayer, e do príncipe saudita Khaled bin Alwaleed Al Saud. Cripto brothers também não haverão de faltar, assim como a Big Pharma, de olho em novas fronteiras de pesquisa. Bryan Johnson, outro multimilionário associado aos Enhanced Games, sustenta que, aos 48 anos, consegue manter a mesma idade biológica de seus anos de juventude. Será o comentarista da transmissão, sob medida para vender o sonho da juventude eterna e da virilidade indomável. Só faltou Elon Musk, cujos 14 filhos foram gerados para garantir a reprodução de seus genes. Em suma, o retrato da elite que comanda o mundo de hoje. O show de encerramento do experimento estará a cargo da banda The Killers. Tudo a ver.
Jogos nada olímpicos em Las Vegas
Atletas se submeteram a um intensivão de treinos e doping individualizados, sob supervisão de um corpo médico











