Na transmissão ao vivo, o gráfico mostrou: "90,5%, testosterona; 78,6%, hormônio de crescimento; 61,9%, moduladores metabólicos, 40,5%, eritropoetina...". E por aí vai.
Parecia relatório da Wada (Agência Mundial Antidoping). Era o que os participantes dos Enhanced Games —ou Jogos Turbinados— haviam tomado. Os próprios organizadores compartilharam com orgulho a informação, neste que também pode ser chamado de Jogos Olímpicos dos Atletas Dopados. O evento foi um fiasco, mas deixa um alerta para o esporte.
Assisti ao show de horrores, transmitido no YouTube da competição. Nos Enhanced Games, competidores eram encorajados a se dopar. Em troca, muito dinheiro: US$ 250 mil para o vencedor e mais US$ 1 milhão caso "quebrasse" um recorde mundial oficial —que, claro, não valeria oficialmente.
Quase sete horas de competições de natação, atletismo e halterofilismo, com 42 atletas, incluindo o nadador brasileiro Felipe Lima, 41 anos —que não ganhou, aliás. Tudo parecia amador: atletas levantando 150 kg debaixo do sol, nadando na piscina com quatro raias (a olímpica tem oito). Os uniformes não tinham a bandeira do país e, sim, o símbolo do evento, que parece a bandeira da Grécia ao contrário. Na plateia, meia dúzia de gatos pingados.













