Segundo cientistas, idosos com vitamina dentro da faixa da normalidade às vezes têm redução cognitiva Vitamina B12 é importante para o sistema nervoso — Foto: Unsplash RESUMO Sem tempo? Ferramenta de IA resume para você GERADO EM: 23/05/2026 - 10:03 Estudo sugere revisão dos níveis recomendados de vitamina B12 em idosos Um estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco sugere que os níveis recomendados de vitamina B12 podem ser insuficientes para idosos saudáveis. Mesmo com níveis considerados normais, sinais de problemas cognitivos e neurológicos foram observados. O estudo destaca a importância da B12 ativa no sistema nervoso e propõe a revisão dos parâmetros de deficiência para incluir biomarcadores funcionais. Os resultados indicam que níveis baixos, mas normais, da vitamina podem afetar a cognição mais do que se pensava, especialmente em idosos. CLIQUE E LEIA AQUI O RESUMO As quantidades recomendadas de vitamina B12 podem ser insuficientes para idosos saudáveis, mostrou um novo estudo da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos. Os cientistas descobriram que mesmo quando os níveis para essa faixa estão dentro da normalidade, as pessoas podem ter sinais sutis de problemas neurológicos e cognitivos. A vitamina B12 desempenha um papel muito importante no sistema nervoso porque participa da manutenção da mielina, uma espécie de “capa protetora” que envolve os nervos. O novo estudo, publicado na revista científica Annals of Neurology, analisou dados de 231 participantes saudáveis, recrutados no Brain Aging Network for Cognitive Health (BrANCH), da UCSF. Os participantes tinham idade média de 71 anos e nenhum apresentava demência ou comprometimento cognitivo leve. Mesmo nesse grupo relativamente saudável, níveis mais baixos da forma ativa da B12 foram associados a uma maior lentidão no pensamento e processamento visual, além de presença de lesões na substância branca do cérebro (formada pelas fibras nervosas que permitem a comunicação entre diferentes partes do órgão). O trabalho foi liderado pelo médico Ari J. Green, dos departamentos de Neurologia e Oftalmologia da UCSF. Segundo as conclusões de Green e sua equipe, o limite mínimo usado para definir deficiência pode não captar alterações funcionais iniciais do sistema nervoso. “Estudos anteriores que definiram quantidades saudáveis de B12 podem ter deixado passar manifestações funcionais sutis de níveis altos ou baixos que afetam as pessoas sem causar sintomas evidentes” disse Green ao ScienceDaily, defendend a redefinição de deficiência de B12 para incluir biomarcadores funcionais. O nível médio de B12 no sangue dos voluntários era de 414,8 pmol/L, muito acima do limite mínimo dos Estados Unidos, que é de 148 pmol/L. Em vez de considerar apenas a B12 total, os pesquisadores focaram na forma biologicamente ativa da vitamina, que pode refletir melhor quanto de B12 o organismo realmente consegue utilizar. Após ajustes para idade, sexo, escolaridade e fatores de risco cardiovascular, a equipe descobriu que participantes com menor quantidade de B12 ativa apresentavam velocidade de processamento mais lenta em testes cognitivos. O efeito era mais forte em participantes mais velhos. Eles também apresentavam respostas mais lentas a estímulos visuais e menor eficiência na transmissão de sinais cerebrais. As ressonâncias magnéticas acrescentaram outro sinal de alerta. Participantes com níveis mais baixos de B12 ativa apresentavam maior volume de lesões na substância branca, áreas de dano cerebral associadas ao declínio cognitivo, à demência e ao risco de AVC. O estudo concentrou-se em idosos, um grupo que pode ser especialmente sensível à redução da B12 porque a absorção da vitamina tende a se tornar menos eficiente com o envelhecimento. Alguns medicamentos, condições digestivas e dietas pobres em alimentos de origem animal também podem aumentar o risco de baixos níveis de B12. A coautora principal Alexandra Beaudry-Richard afirmou que as descobertas sugerem que níveis baixos — mas tecnicamente normais — de B12 podem ter efeitos mais amplos do que se imaginava anteriormente. Esses níveis poderiam “impactar a cognição em uma extensão maior do que pensávamos anteriormente e podem afetar uma parcela muito maior da população do que imaginamos”. “Além de redefinir a deficiência de B12, os médicos deveriam considerar suplementação em pacientes idosos com sintomas neurológicos mesmo que seus níveis estejam dentro da normalidade”, afirmou Beaudry-Richard ao ScienceDaily. As descobertas da UCSF não provam que níveis mais baixos de B12 ativa causem diretamente declínio cognitivo, nem significam que todo idoso deva começar a tomar suplementos sem orientação médica. Elas sugerem, porém, que a definição atual de deficiência de B12 pode ser simplista demais quando o assunto é saúde cerebral. Para médicos, o estudo aponta o possível valor de olhar além da B12 total, especialmente quando pacientes idosos apresentam sintomas neurológicos.